O IBGE completa 90 anos em meio a atrasos e controvérsias. A instituição não publicou os microdados do Censo Demográfico de 2022, que deveriam trazer informações detalhadas para análises socioeconômicas. O atraso alimenta questionamentos sobre a qualidade e a confiabilidade dos dados.
A gestão do presidente Marcio Pochmann afirma que o foco é reconstruir o instituto e investir em modernização. Em nota, diz que os microdados serão divulgados quando estiverem tecnicamente consistentes e protegidos pelo sigilo estatístico, com novos protocolos de confidencialidade.
O órgão também projeta novas pesquisas. Entre elas, a coleta do 12º Censo Agropecuário para 2027 e uma contagem da população em situação de rua para 2028. A direção ressalta que esses levantamentos exigem orçamento e planejamento regulados.
O atraso na divulgação dos microdados ocorre em meio a conflito interno entre a gestão de Pochmann e parte dos servidores. O Assibge, sindicato da categoria, critica a ausência de um cronograma oficial de publicação e aponta perdas na credibilidade institucional.
Entre as críticas, o sindicato cita a falta de participação dos trabalhadores em decisões estratégicas. Além disso, o Assibge questiona medidas administrativas que segundo a entidade teriam provocado exodontias de técnicos e desmotivação no quadro de especialistas.
A presidência do IBGE sustenta que o diálogo com servidores vem ocorrendo desde 2023. Alega ter promovido encontros nacionais, conferências e reuniões virtuais que envolveram mais de 10 mil funcionários, com foco na modernização sem abrir mão do sigilo.
Analistas independentes destacam que o Censo 2022 já teve sua última etapa adiada e que a divulgação dos microdados é essencial para a transparência. Observam, no entanto, que técnicas de tratamento estatístico podem mitigar riscos de identificação de informantes.
O IBGE nasceu em um contexto histórico de Vargas, com a criação do INE, que evoluiu para o IBGE em 1936. Hoje, a instituição atua como base de dados oficiais, influenciando indicadores como IPCA, PIB e taxas de desemprego.
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