A atualização da NR-1, norma reguladora de SST, tornou obrigatória a inclusão da prevenção e do manejo de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A mudança é mandatória e pode acionar multas para as empresas que não se adequarem.
Segundo especialistas, a novidade desloca a saúde mental do foco exclusivo do indivíduo para a organização do trabalho. A responsabilização passa a envolver práticas de gestão, ritmo, metas, reconhecimento e clareza de papéis.
A norma passou a exigir que as empresas avaliem sistematicamente os riscos psicossociais, com diagnóstico, ações de prevenção e monitoramento dentro do PGR. O objetivo é reduzir impactos na saúde mental dos trabalhadores.
Mudança na NR-1 e impactos organizacionais
Quem trabalha com SST observa que a aplicação prática varia conforme o porte e a cultura da empresa. Em muitos casos, a NR-1 é vista como protocolo, não como instrumento de transformação cultural.
Especialistas destacam que apenas soluções tecnológicas, como apps de bem-estar, não bastam. A implementação eficaz depende de mudanças estruturais, como gestão do tempo, liderança e coerência entre funções.
Ainda que haja diagnóstico e iniciativas pontuais, a eficácia depende de revisões profundas na organização do trabalho. A saúde mental passa a exigir uma abordagem integrada e contínua, com participação de liderança e equipes.
A discussão aponta para um cenário em que cumprir a NR-1 não garante saúde mental estável. A adoção de medidas episódicas pode mascarar problemas mais complexos, que requerem acompanhamento humano permanente.
Profissionais lembram que a saúde mental envolve diferentes perspectivas teóricas, e que o objetivo não é eliminar sofrimento, mas melhorar a capacidade de enfrentamento diante das demandas do trabalho.
Entre na conversa da comunidade