No dia 28 de maio, Dia da Dignidade Menstrual, especialistas, ativistas e jovens se reuniram em Brasília para debater saúde menstrual em seminário promovido pelo Instituto Alana. O objetivo foi discutir como homens e mulheres podem dialogar sobre o tema.
A pesquisa publicada esta semana pelo Alana em parceria com o Equidade.info revela que 36,8% dos meninos dizem não pensar muito no assunto, enquanto entre as meninas o índice é de 19,7%.
Dados apontam ainda que 23,7% dos garotos acreditam que a menstruação atrapalha a escola ou atividades, frente a 41,2% entre as meninas.
Do que houve no seminário
Durante as discussões, meninas de 13 a 15 anos relataram que, em suas escolas, os gêneros são separados em aulas sobre saúde sexual. Os garotos aprendem sobre preservativos e as meninas falam sobre absorventes, sem integração entre os dois temas.
Uma jovem de 16 anos em Maceió disse que a escola aborda de forma técnica o sistema reprodutivo, sem abrir espaço para falar sobre dor ou cobranças sociais. Ela descreveu um ambiente de preconceito entre as gerações.
Condições e impactos na vida escolar
Relatos apontam que meninas costumam precisar esconder o uso de absorventes em sala de aula por constrangimento. A pesquisadora Ursula Maschette, especialista em saúde menstrual, afirma que a escola muitas vezes reproduz a ideia de imaturidade dos meninos para o tema.
Especialistas chamam a atenção para as consequências do silêncio: impacto na vida escolar, nas relações afetivas, no mercado de trabalho e na saúde feminina. Pobreza menstrual e atraso de diagnósticos aparecem entre os problemas.
Dados e perspectivas
O estudo mostra que 41,2% das meninas acreditam que a menstruação atrapalha atividades esportivas e escolares. Em contrapartida, 23,7% dos garotos veem o tema como relevante. Médicos destacam que o tema é de saúde pública e requer diálogo entre gêneros.
O médico Omero Poli Netto ressalta que entender as demandas das mulheres é essencial para políticas públicas eficazes. A ciência sugere a necessidade de escuta clínica para dor crônica associada à menstruação.
Contexto institucional e caminhos
A Política Nacional de Dignidade Menstrual foi instituída em 2023, mas há dificuldades no acesso a absorventes gratuitos em escolas e na disponibilidade de infraestrutura adequada. Parlamentares já discutem licença menstrual, aprovada na Câmara em 2025 e aguardando o Senado.
Recomendações das adolescentes
Entre as propostas, as jovens defendem que o tema seja tratado com antecedência, envolvendo meninos, pais e a escola. Também pedem campanhas governamentais inclusivas para ampliar o diálogo sobre menstruação entre todos os públicos.
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