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Crime cometido pela madrasta é desmascarado quase 50 anos depois

Após quase cinquenta anos, o irmão revela segredo que reabre o caso da morte de Andrea; madrasta é considerada culpada de homicídio culposo e crueldade contra Bernard

Janice Nix levou uma vida ligada ao crime nas décadas de 1970 e 1980 e passou mais de 17 anos na prisão - esta imagem foi publicada em reportagem anterior da BBC sobre seu livro de memórias
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Desmond Bernard revelou à polícia, quase cinco décadas depois, um segredo que mudou o rumo de um caso que era tratado como acidente. Em setembro de 2022, ele informou aos investigadores que Janice Nix forçou a enteada Andrea, de cinco anos, a entrar em uma banheira com água quente, em Thornton Heath, sul de Londres.

A morte de Andrea, ocorrida em 1978, foi registrada como acidente na época. Bernard, então com oito anos, afirmou ter sido obrigado a mentir para encobrir o que realmente aconteceu. Segundo ele, a menina sofria com punições severas na residência da família.

Aperfeiçoando as informações, a Polícia Metropolitana destacou que Nix manteria um histórico de violência contra as crianças, incluindo espancamentos e outras formas de crueldade contra Bernard, que hoje tem 56 anos. A investigação só foi avançar com a denúncia de Bernard em 2022.

Nix, de 67 anos, foi julgada no Tribunal da Coroa de Isleworth. O júri a considerou culpada pela morte de Andrea e por crueldade contra Bernard entre 1975 e 1978. A decisão foi proferida na terça-feira, 26 de maio de 2025, após esforço de décadas para responsabilizá-la.

A prisão ocorreu em fevereiro de 2025, quando Nix desembarcou no Aeroporto de Londres, vindo de Antigua. Naquele dia, ela foi acusada formalmente de homicídio culposo pela morte de Andrea e de crueldade contra Bernard. A detetive Fran Homer descreveu o momento como devastador para as vítimas.

Segundo depoimentos ouvidos no julgamento, Andrea relatou desconforto por coceira nas pernas antes de desmaiar, em 1978. A defesa apresentou versões diversas, incluindo a de que a água poderia ter se aquecido devido a falha no aquecedor, mas estas explicações foram descartadas por peritos.

Bernard descreveu uma rotina de abusos na casa, com agressões físicas e punições severas. O testemunho dele foi fundamental para reavaliar o caso, que ficou sem registros robustos ao longo dos anos. A promotora destacou o valor de ouvir quem viveu o trauma.

A inspetora-chefe Louise Caveen ressaltou que a decisão demonstra que as vítimas podem ter voz mesmo após tanto tempo. Ela afirmou que a investigação não existiria sem o relato de Bernard e que Andrea teve a chance de ter respostas.

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