Desastres ambientais geram perdas materiais e humanas e podem provocar trauma coletivo. Em Rio Bonito do Iguaçu, Paraná, um tornado em 7 de novembro de 2025 deixou casas destruídas, serviços interrompidos e vítimas, elevando a demanda por cuidado psicossocial na população atingida. O projeto Atenção Psicossocial em Desastres Socioambientais: o que o vento não leva foi criado para mapear necessidades e oferecer suporte emocional.
Desenvolvido pela Fiocruz Brasília, em parceria com o Desmad do Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde local, a iniciativa atua com atendimentos psicossociais a pessoas atingidas. A rede de saúde mental busca incentivar presença, escuta e reconstrução de vínculos diante do trauma coletivo, conectando serviços à comunidade.
AÇÕES E DESDOBRAMENTOS
Durante atendimentos individuais, psicólogos relatam medo e insegurança diante de chuvas, ventos e céu nublado. A população confronta a possibilidade de novos eventos extremos e o desamparo citado tem sido comum entre os moradores. Antes do tornado, Rio Bonito do Iguaçu não possuía Centro de Atenção Psicossocial e contava apenas com duas psicólogas para atender a cidade.
Com o desastre, aumentou a necessidade de cuidado psiquiátrico e emocional. O mapeamento de demandas permitiu ações como a instalação de contêineres de acolhimento, a formação de uma equipe de atenção psicossocial em contextos de desastres e a articulação com o Cras para encaminhamentos sociais. A atuação envolve acolhimento institucional, atendimentos psicológicos, supervisão técnica e visitas domiciliares, além de apoiar a rede local com treinamento.
El Niño é tema de alerta
Atualizações da Organização Meteorológica Mundial indicam que águas oceânicas muito quentes associadas ao El Niño devem favorecer eventos climáticos extremos nos próximos meses, com alta probabilidade. A ONU reforça a necessidade de planos de resposta que integrem mitigação climática e amparo psicossocial às populações vulneráveis.
Diante do cenário, governos são instados a estruturar redes permanentes de apoio, associando ações de adaptação climática a serviços de saúde mental para responder a desastres que possam ocorrer a curto e médio prazo. A ênfase é manter atendimento contínuo, com foco em comunidades atingidas por eventos extremos.
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