O Hospital Geral de Guarulhos (HGG), na região metropolitana de São Paulo, recebe pacientes com cápsulas de drogas no corpo, apelidadas de mulas do tráfico. O fluxo envolve atendimento de rotina e situações graves, com encaminhamentos pela Polícia Federal (PF).
Localizado a poucos quilômetros do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), o HGG ganhou uma ala exclusiva para mulas, com escolta e estrutura adequada. O espaço é muito comentado pela proximidade com o terminal e pela presença de grades.
A alcunha de Hospital das Mulas desce sobre o centro médico, que atende majoritariamente a população local. Mesmo assim, a ala especial soma casos raros representando menos de 1% do total de atendimentos do hospital. Fonte: reportagem do Terra.
Contexto e ala exclusiva
No protocolo, as mulas chegam escoltadas pela PF ao pronto-socorro, para triagem clínica rápida. A ala foi criada para manter a presença de escolta armada durante todo o processo, até a alta, segundo o diretor Afonso César Machado.
O estado clínico ao chegar costuma ser estável. Afonso explica que a maioria é jovem e, em geral, saudável, o que facilita a avaliação inicial e a classificação dos casos como ingestão de corpo estranho.
A confirmação da presença das cápsulas ocorre por tomografia, que permite contar o número de cápsulas e estimar seu tamanho. A partir daí, a equipe planeja o manejo adequado.
Protocolo de tratamento e segurança
Após confirmação, as mulas vão para a cela com poltrona de enfermaria, sob monitoramento. Se necessário, há mecanismos para evacuação controlada das cápsulas, com uso de laxantes e monitoramento contínuo.
A equipe de enfermagem descreve exames de imagem a cada duas horas para acompanhar a evolução. Em casos de falha na evacuação, pode haver intervenção cirúrgica para retirada das cápsulas.
A contagem final das cápsulas é conferida pela PF, que realiza teste toxicológico. Em seguida, uma nova tomografia comprova a ausência de cápsulas, e o paciente recebe alta sob responsabilidade da PF.
Dados e contexto regional
O HGG não divulga números exatos de mulas, por classificação que agrupa casos como ingestão de corpo estranho. Em 2025, o hospital contabilizou 212 atendimentos nesse conjunto, que também inclui idosos e crianças.
O volume de atendimentos gerais de urgência no estado de SP é muito maior, com milhares de casos anuais. A comparação ajuda a entender a proporção real das mulas dentro da demanda total do hospital.
A avaliação do diretor aponta que a maior parte do trabalho é de baixa complexidade, mas ressalta o impacto social ao ver jovens nessas situações. Ele afirma que não cabe julgar, apenas entender o fenômeno.
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