Em entrevista ao nosso jornal, o reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, afirmou haver apatia entre alunos quanto à participação em assembleias estudantis. Segundo ele, tal desengajamento favorece a atuação de grupos extremistas que ditam a agenda da greve iniciada em 14 de abril.
Segurado relatou que negociações já ocorreram ao longo de 20 horas de reuniões, com propostas como ampliar o transporte gratuito entre unidades, melhorar restaurantes, espaços estudantis e moradias, e reajustar a bolsa de permanência de 885 para 912 reais.
O reitor disse que, na prática, militantes teriam imposto exigências rigorosas, incluindo salário mínimo paulista acima de 1.800 reais, o que tornaria a negociação inviável e prejudicaria o diálogo com a comunidade acadêmica.
Participação estudantil e legitimidade
A baixa participação nas assembleias é destacada como indicativo de crise de representatividade, com apenas cerca de 200 alunos presentes entre 5 mil da Escola Politécnica. A votação em colegiados centrais teria ficado em 6%.
O movimento estudantil, segundo Segurado, seria orientado por um grupo de militantes, não pela maioria dos estudantes. A União entre Medicina, Direito e Escola Politécnica já retomou atividades presenciais, deixando outros setores em greve.
A direção afirma que a greve não traduz a vontade da maioria e que o êxito de qualquer solução depende de argumentos, diálogo e respeito à democracia. O reitor enfatiza a necessidade de acolher demandas legítimas sem coação.
Os fatos indicam despeito entre a gestão universitária e parte do corpo discente, com críticas à representatividade e aos métodos de mobilização. A universidade segue acompanhando a evolução do movimento e as negociações em curso.
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