Residentes do Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo, denunciam jornadas de até 90 horas semanais, acima do limite legal de 60 horas. A queixa foi apresentada ao CNRM, órgão do MEC, envolvendo as residências de ortopedia, neurocirurgia, cirurgia geral, otorrinolaringologia e ginecologia/obstetrícia.
Os médicos relatam exaustão física e psicológica, sem registro de ponto, com plantões de 12 horas e horários das 6h às 19h de segunda a sexta. Segundo eles, a rotina compromete a qualidade do atendimento e a formação profissional.
A denúncia foi protocolada junto ao MEC pelo CNRM, que notificou o hospital e abriu fiscalização com o Cerem. A apuração visa verificar irregularidades e eventual adoção de medidas cabíveis.
O Iamspe, gestor do hospital, afirma seguir a legislação e colaborar com a investigação. Em nota, sustenta que o programa de residência é reconhecido nacionalmente e que a desistência entre residentes é baixa.
Em defesa, o sindicato dos médicos de São Paulo aponta dificuldades de financiamento e reposição de quadros no hospital. A entidade diz que as condições se repetem em outras unidades, não apenas no servidor público estadual.
Dados do MEC mostram que, no último processo seletivo, o programa de residência do Iamspe recebeu 7.175 inscritos para 238 vagas em 2026, com apenas quatro desistências registradas.
Segundo relato de profissionais, a formação clínica fica comprometida quando o residente acumula responsabilidades de supervisão sem supervisão adequada, elevando riscos para pacientes e garantindo pressão institucional sobre os futuros médicos.
O caso permanece em apuração. O MEC informa que o CNRM recebeu a denúncia em 13 de março, com esclarecimentos apresentados três dias depois, e a fiscalização prossegue para apurar irregularidades.
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