A primeira Casa da Mulher Indígena (CAMI) será um equipamento público dedicado ao acolhimento, reparação e proteção de mulheres indígenas em situação de violência. A iniciativa nasce da parceria entre o MMulheres, a UnB, o Lab Mulheres/FAU-UnB e o IAB/DF, em resposta ao aumento de violência contra esse grupo.
Dados do SINAN, compilados pela plataforma Gênero e Número, apontam 258% de aumento de registros de violência contra mulheres indígenas entre 2014 e 2023. Assédio, estupro e exploração sexual cresceram 297% no mesmo período, superior à média feminina no país. O concurso público de ideias visa influenciar esse cenário.
A dinâmica do concurso e a escuta coletiva
O edital exigiu participação de ao menos uma mulher indígena na equipe. A proposta vencedora segue o eixo da arquitetura de acolhimento, buscando respeitar as cosmovisões das diferentes etnias e manter direitos legais sem impor rupturas culturais. A seleção manteve o anonimato das equipes durante o julgamento.
O processo de escuta envolveu mulheres de seis biomas, com contribuições de pesquisadoras indígenas como Francy Baniwa e Julia Sá Earp. As equipes tiveram de adaptar a concepção para acomodar mães e familiares que acompanham as vítimas, refletindo a prática de vida cotidiana nas aldeias.
Sobre a vencedora e a equipe
A vencedora, anunciada em 11 de maio de 2026, é liderada pela arquiteta Fernanda Britto, com coautoras Ana de Abreu Altberg e Juliana Sicuro Corrêa, e colaboração de Francineia Bitencourt Fontes, Giovana Paape Casa Nova, Julia Sá Earp e Mariana Cruz. A equipe enfatizou uma arquitetura de acolhimento, alinhada aos cotidianos das mulheres indígenas.
A CAMI propõe espaços organizados em dois blocos: institucional-administrativo e alojamentos com áreas de convivência. A madeira de eucalipto sustenta a estrutura, favorecendo menunjos locais de mão de obra regional. A cobertura de duas águas e a ventilação natural respondem a condições climáticas diversas.
A visão de projeto e impactos previstos
A proposta coloca a roça como elemento central, reposicionando espaços de cuidado e sociabilidade feminina no conjunto arquitetônico. Materiais locais, jardins de biomas brasileiros, um pomar de espécies nativas e uma cozinha coletiva compõem o conjunto, sempre com foco na flexibilidade de uso e na integração com o território.
A CAMI busca reduzir deslocamentos e oferecer permanência adequada, respeitando hábitos alimentares e práticas tradicionais. O objetivo é criar um espaço que, no futuro, possa transcender o papel de acolhimento para tornar-se um polo de convivência e troca entre mulheres indígenas.
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