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Estudantes da USP encerram greve após 54 dias

Greve na USP é encerrada pela maioria em assembleia (323 a favor, 255 contra); retorno às aulas depende de cada faculdade, com unidades já retomando

Torre da Praça do Relógio, Campus da Cidade Universitária no Butantã — Foto: Marcos Santos/USP Imagens
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Encerra-se a greve que mobilizou estudantes da USP por 54 dias. Em assembleia na noite de 8 de maio, por maioria, foi recomendada o encerramento da paralisação e o retorno às aulas nas unidades. Votos: 323 a favor, 255 contra, 9 abstenções.

A decisão não implica fim automático do movimento. Cada faculdade realizará assembleias nos próximos dias para deliberar sobre a retomada das atividades. Parte significativa da USP já voltou ao funcionamento normal, como Direito, Medicina, Escola Politécnica e campi do interior.

Contexto da greve

Iniciada em 14 de abril, a paralisação tornou-se uma das maiores mobilizações da última década, atingindo 43 unidades da universidade. O movimento nasceu na insatisfação com a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace) para docentes, mas ampliou pautas sobre permanência estudantil.

A principal demanda era o aumento do Pafpe, que atende alunos em vulnerabilidade socioeconômica. Inicialmente, a reivindicação era equiparar o benefício ao salário mínimo paulista, depois foi reduzida para 1.096 reais mensais. A reitoria anunciou reajuste para 912 reais.

Avanços e entraves

A reitoria também anunciou melhorias no Crusp e ampliou canais de diálogo, mas as propostas foram consideradas insuficientes pelo movimento. Ao longo de quase dois meses, houve protestos, piquetes e ocupação da reitoria.

O confronto mais intenso ocorreu em maio, quando a reitoria foi ocupada para pressionar negociações. A Polícia Militar foi acionada para retomar o edifício, conforme divulgado pela instituição. A administração afirmou ter chegado ao limite de possibilidades de negociação.

A interlocução entre movimentos estudantis e a gestão foi contestada pelos jovens, que alegaram interromper o diálogo antes de discutir as principais demandas. Mesmo com a adesão ao movimento em declínio, a insatisfação persistia entre parte dos estudantes.

Com o retorno gradual, o debate se volta ao calendário de reposição de atividades suspensas. A expectativa é definir datas para compensação de conteúdos e atividades acadêmicas nos próximos dias.

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