Herdeiros e sobrinhos-netos de Tarsila do Amaral divergem sobre a autenticidade de um conjunto de 16 desenhos atribuídos à artista. O impasse envolve a possibilidade de eles integrarem o Catálogo Raisonné da pintora, usado como referência de autoria.
Do lado que defende a inclusão, está a TALE, empresa responsável pela gestão dos direitos da artista. Do outro, há herdeiros que insistem na necessidade de consenso unânime do colegiado que cuida do catálogo para reconhecer as obras como de Tarsila.
A discussão ganhou contornos jurídicos e envolve pareceres de peritos. Um deles, contratado pela TALE, sustenta técnicas mais atuais de comprovação de autoria, diferente do critério colegiado. Ainda não houve decisão final.
Especialistas consultados pelo Estadão ressaltam que o Catálogo Raisonné é forte indício de autoria, mas não substitui perícia definitiva. O debate envolve disputas entre familiares, comum em casos de obras dispute entre herdeiros.
Na prática, casos semelhantes costumam caminhar para a Justiça quando não há acordo. A judicialização pode levar a perícias oficiais e decisões que se arrastam por anos, com impactos para o mercado de arte e direitos de reprodução.
Como referência histórica, o mercado já viu disputas de autenticidade envolvendo outras obras de grande gravidade, como o caso de Salvator Mundi, atribuído a Leonardo da Vinci, e de Volpi, com trâmites legais longos.
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