Especialistas alertam para riscos do uso do viva-voz durante a condução, mesmo com a promessa de reduzir distração. Em meio a avanços tecnológicos, motoristas recorrem a sistemas de viva-voz para atender ligações sem manusear o celular, mas o consenso é de que isso não elimina perigos no trânsito.
A Abramet, Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, é contrária à prática. O vice-presidente Ricardo Hegelé afirma que o uso do celular dentro do veículo aumenta o risco de acidentes de forma exponencial, independentemente do método utilizado para atender a ligação. A entidade enfatiza que o cérebro pode permanecer focado na conversa, diminuindo a percepção do ambiente.
Dados apontam consequências legais e operacionais. Segurar o celular para falar ou enviar mensagens continua configurando infração gravíssima, com multa de 293,47 reais e sete pontos na CNH. Em São Paulo, o Detran registra mais de 85 mil multas por uso de celular ao volante nos primeiros cinco meses do ano, cifra 22% menor que no mesmo período de 2023.
Riscos e impactos
Adestrador que atua no trânsito de São Paulo relata uso frequente do viva-voz no trabalho, reconhecendo benefícios práticos, mas também perigos quando a atenção é desviada. Especialistas destacam que atender ligações, mesmo sem manusear o aparelho, exige foco visual e cognitivo que podem comprometer a percepção do meio ambiente.
O debate envolve ainda a eficácia do viva-voz para reduzir multas e acidentes. Embora a tecnologia permita responder chamadas rapidamente, a atenção dividida continua sendo uma fonte relevante de distração durante a condução, segundo consultados. Autoridades e entidades reiteram a necessidade de políticas públicas de conscientização e de conduta segura ao volante.
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