A megaoperação chamada Aliança Velada, deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, desarticulou uma organização criminosa de alta periculosidade com atuação dentro e fora do sistema prisional gaúcho. A ofensiva envolveu 335 agentes para cumprir 30 mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão.
O pedido de prisão foi expedido pelo Poder Judiciário, com bloqueio de 27,8 milhões de reais em contas, além do sequestro de 30 veículos e três imóveis ligados ao grupo. Em 16 meses, a rede movimentou de forma ilícita cerca de 55,7 milhões de reais.
Núcleo dentro das cadeias e cooptação de servidores
A investigação aponta que o núcleo da organização operava de dentro de presídios, com dez líderes comandando tráfico, roubos e homicídios nas celas da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas e em unidades de Uruguaiana e Itaqui.
Dois policiais penais foram alvos de mandados de prisão e afastados de funções. Segundo o MPRS, eles recebiam propina para facilitar a entrada de celulares e droga nas galerias, além de atuarem como operadores financeiros e ligações com criminosos na rua.
Dinâmica do esquema
O Gaeco, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Penal, iniciou as apurações a partir de dados de um celular apreendido em operação anterior. As mensagens entre líderes presos e colaboradores livres revelaram a estrutura hierarquizada e o fluxo de dinheiro.
Conforme os investigadores, pagamentos em dinheiro permitiam o ingresso de aparelhos e entorpecentes nas carceragens, com a tecnologia utilizada para coordenar tráfico, roubos e ordens de homicídio na fronteira oeste e na região metropolitana.
Roteiro financeiro e impactos geográficos
O dinheiro era movimentado por meio de empresas de fachada e transferido para financiar uma ONG localizada na Fronteira Oeste. O retorno do dinheiro incluía aquisição de frotas de veículos e imóveis para sustentar novas operações de drogas e armas.
Os esforços atuaram sobre alvos estratégicos na Fronteira Oeste, Região Metropolitana, Vale do Sinos e região Carbonífera. Entre as cidades-alvo constam Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre.
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