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Segregação escolar agrava desigualdade entre alunos de baixa renda

Estudo revela segregação socioeconômica em escolas brasileiras, com turnos e turmas que distribuem alunos pobres em ensino pior e ampliam desigualdades

Ilustração de Adams Carvalho - Adams Carvalho
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A segregação escolar no Brasil permanece como espelho da desigualdade social. Alunos pobres são concentrados em escolas de pior qualidade, com horários e turmas distintos, o que eleva o risco de abandono e piora o aprendizado. A prática já foi observada em Sertãozinho, no interior paulista, e em grandes redes urbanas.

Um estudo de campo liderado pelo economista Leandro Anazawa mostrou como a Carandiru, escola de baixa infraestrutura, recebia alunos com maior vulnerabilidade, enquanto unidades bem estruturadas ficavam nos bairros ricos. A separação ocorria por turnos e por turmas, com o rótulo social influenciando o desempenho.

Anazawa acompanhou o processo durante visitas a Sertãozinho, em 2017, com uma equipe de cerca de 20 estudantes. O objetivo era mapear a enturmação de turmas conforme notas, comportamento e origem social, revelando um sistema de segregação que vai além da fronteira entre redes públicas e privadas.

A pesquisa aponta que a prática não é isolada. Estudos no Rio de Janeiro e em São Paulo indicam procedimentos similares, com escolas de periferia recebendo menos recursos, profissionais menos estáveis e menor qualidade de ensino. A distribuição desigual de alunos é considerada um dos mecanismos da desigualdade educacional.

Especialistas explicam que a segregação tem efeitos de longo prazo. A concentração de alunos vulneráveis reduz o aproveitamento médio da turma e desincentiva a permanência escolar. Além disso, a distribuição de professores costuma favorecer escolas centrais, dificultando a atração de docentes para áreas periféricas.

Dados internacionais citados no estudo indicam que o Brasil apresenta alta segregação educacional. O índice de dissimilaridade, utilizado para medir o fenômeno, aponta que grande parte dos alunos mais pobres está em unidades com menor qualidade. A comparação com outros países reforça o desafio regional.

Entre as consequências, destacam-se menor ascensão educacional para filhos de famílias com menos escolaridade e menor mobilidade social para quem vive em favelas. Ao mesmo tempo, a pesquisa sugere que melhorar a qualidade escolar nas áreas periféricas pode reduzir desigualdades ao longo do tempo.

Casos de vida ajudam a ilustrar o cenário. Mayara, moradora da Maré, relatou como a violência e a escolha de turmas impactaram seu aprendizado. Roberta, de Jacarepaguá, conseguiu avançar na educação graças a bolsas e cursos técnicos, tornando-se pesquisadora na área.

Pesquisas sobre o tema sugerem dois mecanismos da enturmação: gestão inadequada e efeitos de pares, que prejudicam o desempenho de alunos com menor rendimento. Embora a prática tenha justificativas defendidas por alguns, especialistas apontam que a segregação precisa ser enfrentada para melhorar o conjunto.

O estudo de Mayara e Roberta, acompanhado por análises de políticas públicas, reforça a ideia de que a meritocracia não funciona quando o sistema educacional segregado funciona como impedimento estrutural. A adoção de estratégias de equidade é defendida por pesquisadores e gestores.

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