Milão recebe a exposição Man Ray: M for Dictionary, em parceria entre a galeria Gió Marconi e a Fondazione Marconi. A mostra reordena a obra do artista a partir da língua como sistema estrutural, inaugurada em 2026.
A curadoria retoma o marco de 1969, quando Man Ray apresentou-se no Studio Marconi, em Milão. A reavaliação busca mostrar como sua produção saiu do surrealismo fotográfico para um campo mais amplo, ligado a sintaxe, objetos e sistemas.
Para o curador Yuval Etgar, a leitura de Man Ray passa pela prática de usar e transformar imagens ao longo do tempo. A exibição enfatiza que o artista operava com economia e ampliava significados a partir de uma figura fixa.
O conjunto exposto reúne fotografia, objetos, pinturas e desenhos, adotando uma leitura transversal sem ordem cronológica rígida. A curadoria propõe uma visão dinâmica da obra do artista.
Entre as peças, ganha destaque o clássico Object to Be Destroyed, um metrônomo com um desenho de olho preso à pressa que marca o tempo. A obra foi recriada diversas vezes ao longo da carreira.
A produção inicial de 1923 pretendia ser uma testemunha silenciosa no ateliê, observando o ato de pintar. Em 1932, o desenho foi substituído pela imagem do olho de Lee Miller, ex-companheira de Man Ray.
Com a mudança, a obra passou a ser intitulada Object of Destruction, ganhando uma carga de ruptura e afeto. Man Ray descreveu a peça como ataque simbólico à imagem de Miller na própria produção.
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