Em 1986, durante o cenário de abertura política, o Pasquim ganhou edições regionais em São Paulo e no Rio Grande do Sul, além das já existentes no Rio de Janeiro. A iniciativa buscou manter a linha irreverente e crítica do jornal, adaptando-a aos sotaques locais e às pautas regionais.
As edições locais mantiveram o tom satírico, com foco em temas do dia a dia e debates regionais. Em São Paulo, o clima político pós-ditadura influenciou a cobertura; no Sul, o humor confrontava o comunal e discutia comportamentos locais. Cartunistas locais ganharam destaque, ao lado de jornalistas da matriz.
A sobrevivência financeira foi um desafio para as edições regionais, com venda avulsa sendo mais robusta que a depender de anunciantes. A falta de clareza sobre o papel do jornal alternativo após o fim da ditadura também dificultou a continuidade.
Digitalização e acervo
Nesta semana, a Biblioteca Nacional Digital disponibilizou 98% das 114 edições regionais do Pasquim, totalizando o acervo já existente das edições cariocas. O projeto de digitalização teve participação voluntária de Fernando Coelho dos Santos, admirador do jornal, que liderou a coordenação técnica.
Coelho dos Santos aposentou-se em 2016 e atuou gratuitamente na digitalização, acompanhando desde a coleta até a operacionalização. Ele destaca que o site da BN Digital já abriga o principal acervo com 100% das edições cariocas e 98% das regionais.
O esforço, apoiado pela Biblioteca Nacional Digital, preserva a memória de um dos marcos do jornalismo brasileiro. Para conhecer mais sobre as edições originais e as regionais, a consulta pode ser feita pela página dedicada ao Pasquim na BN Digital.
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