O guia Hillary Dawa Sherpa, de 57 anos, foi encontrado vivo após desaparecer durante uma expedição ao Everest. Ele havia se separado do grupo há seis dias enquanto o grupo descia pela rota sul, a 7.5 mil metros de altitude, e reapareceu em estado de exaustão com queimaduras pelo frio. A recuperação ocorreu em Katmandu, no Nepal, após ser levado de helicóptero a um hospital.
A equipe de limpeza que recolhia lixo nas encostas superiores avistou o homem vestindo um macacão azul brilhante aos pés da Cascata de Gelo do Khumbu. Doze dias antes, a família de Dawa Sherpa já havia iniciado rituais fúnebres, acreditando na sua morte.
Dawa Sherpa estava empregado originalmente como cozinheiro no Acampamento 2, a cerca de 6.000 metros. Segundo a HTA, ele atuou como substituto de um guia que adoecera no acampamento-base durante a escalada, decisão tomada para ajudar o grupo realizar a subida ao cume.
O grupo incluía o alpinista britânico Chris Thrall e o polonês Mariusz Chmielewski, além de Pasang Kaji Sherpa. Thrall descreveu que o guia parou para descansar sobre a mochila perto do Acampamento 3, quando já enfrentavam forte tempestade de neve e quase não havia oxigênio disponível.
Horas de decisão sob condições extremas levaram Thrall a priorizar a permanência com o colega mais vulnerável, o que, segundo ele, acabou por comprometer a sequência do resgate. Os dois restantes seguiram descendo com parte do oxigênio restante, mantendo lembranças de mensagens de despedida gravadas para familiares.
O grupo alcançou o Acampamento Base após cerca de 38 horas de descida. Na altura, Dawa Sherpa já era considerado desaparecido. A família e alguns envolvidos contestam a narrativa de negligência, destacando falhas nas buscas que só começaram após o desaparecimento ter sido comunicado, em 30 de maio.
Desdobramentos indicam que a HTA foi informada pela 8K Expeditions, parceira na emissão de licenças, sobre o sumiço de Dawa Sherpa, mas houve atraso nas ações de busca por condições climáticas adversas. A 8K Expeditions nega responsabilidade direta na operação de resgate.
Especialistas dizem que cozinheiros de acampamento raramente são treinados para escalar até o cume, o que alimenta debates sobre a preparação da indústria de turismo de alta altitude. A HTA afirma que as condições climáticas inviabilizaram intervenções imediatas e que a busca foi realizada assim que possível.
A polícia do Nepal investiga a caso por possível negligência, e o Departamento de Turismo analisa responsabilidades da empresa. A família de Dawa Sherpa afirma que houve falha na proteção dos trabalhadores e cobra providências legais contra a HTA.
O resgate foi descrito por parceiros da HTA como um esforço conjunto para localizar o guia desaparecido, e a HTA sustenta que a empresa não abandonou o grupo, mas reconhece a complexidade das operações diante de tempestades contínuas. O caso reacende o debate sobre padrões de segurança na indústria de turismo de montanha de alta altitude.
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