Mudanças climáticas, avanços tecnológicos, sucessão e novas exigências dos consumidores já integram a realidade dos territórios produtores. Eles devem moldar o futuro das indicações geográficas (IGs) no Brasil. A fala foi de Jean-Louis Le Guerroué, pesquisador francês referência no tema, durante o Connection Terroirs do Brasil, em Gramado (RS).
O especialista destacou que as IGs não são apenas proteção jurídica ou acesso a mercados. Hoje representam uma estratégia de desenvolvimento territorial e de preservação do patrimônio coletivo das comunidades, mantendo viva a história, os recursos e os saberes locais.
Segundo Le Guerroué, o território tem identidade própria, quase um DNA. Ele alertou que mirar apenas o crescimento econômico pode descaracterizar a autenticidade e a alma dos territórios, que precisam equilibrar prosperidade com tradição.
Desafios e caminhos
Para o pesquisador, as IGs são um patrimônio comum que depende da ampla participação dos produtores, diferentemente de marcas privadas. Ele afirma que as IGs representam o reconhecimento de um bem público e a força está na capacidade de unir pessoas em torno de um projeto.
Le Guerroué citou debates internacionais sobre adaptação às mudanças climáticas, transição agroecológica e sustentabilidade, com propostas de incorporar esses parâmetros aos regulamentos das IGs em diversos países. A perenidade é defendida como objetivo central, indo além da sustentabilidade.
Entre na conversa da comunidade