Raimundo Carrero, escritor e jornalista pernambucano, morreu na madrugada desta terça-feira, 16 de junho, aos 78 anos, em decorrência de um câncer. A família confirmou o falecimento e destacou a trajetória do autor como fundamental para a literatura de Pernambuco e do Brasil.
A família publicou uma nota em redes sociais lembrando que Carrero dedicou a vida às letras com paixão, sensibilidade e compromisso, deixando um acervo que marcou gerações e moldou a identidade cultural nacional. Detalhes sobre velório e sepultamento serão divulgados posteriormente.
Carrero foi um dos autores mais premiados do país, com reconhecimento internacional. Entre suas honrarias estão o Prêmio Jabuti, o Prêmio São Paulo de Literatura, o troféu da APCA e o Prêmio Machado de Assis. Obras como Somos Pedras que se Consomem, As Sóbrias Ruínas da Alma, Sombra Severa e O Delicado Abismo da Loucura aparecem entre as mais citadas pela crítica.
Legado e alcance cultural
A vida de Carrero ultrapassou as prateleiras acadêmicas ao influenciar o imaginário popular. Em 1976, ajudou a popularizar a história da Perna Cabeluda, mito que se tornou uma das lendas urbanas mais conhecidas do Recife.
Décadas depois, o tema ganhou projeção nacional e internacional ao integrar o enredo do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, reforçando a relevância do trabalho do escritor na cultura brasileira.
Formação e atuação profissional
Natural de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, Carrero nasceu em dezembro de 1947. Na imprensa, atuou por 25 anos no Diario de Pernambuco, onde foi crítico literário e editor nacional. Também trabalhou em rádio e TV.
Além disso, Carrero desempenhou papel institucional relevante, presidir a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) e ocupar uma cadeira de imortal na Academia Pernambucana de Letras (APL).
Movimento Armorial e contribuição cultural
Ao lado do dramaturgo Ariano Suassuna, Carrero foi uma figura central do Movimento Armorial, que buscou criar arte erudita a partir das raízes populares do Nordeste. O movimento permanece como marco na relação entre folclore, literatura e criação intelectual no Brasil.
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