Em 2019, o governo de São Paulo lançou o programa Inova Educação, com o objetivo de implementar o Novo Ensino Médio na maior rede pública do país. A avaliação apresentada aponta caminhos de precarização do ensino e mudanças no currículo.
O estudo de mestrado, conduzido por Felipe Alencar e orientado pela professora Carmen Silvia Vidigal, analisa impactos do programa na rede estadual paulista. Segundo o pesquisador, houve substituição de disciplinas tradicionais por conteúdos voltados ao empreendedorismo e ao mercado.
A pesquisa aponta ainda a participação de entidades privadas no processo, sem participação de cientistas ou universidades, o que, na visão do autor, influenciou a definição de conteúdos. O período analisado compreende o segundo semestre de 2019, marcado por ações oficiais associadas ao Inova Educação.
Entre as fontes de evidência, o estudo menciona um evento chamado Movimento Inova, promovido pela Secretaria da Educação na Efape, com a presença de representantes de organizações privadas. Participaram, segundo o pesquisador, instituições como Instituto Ayrton Senna, Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Fundação Vanzolini e Microsoft.
O conteúdo curricular passou a incluir disciplinas como Projeto de Vida, Tecnologia e Eletivas, com relatos de patrocínios de empresas. O pesquisador cita também críticas a conteúdos de eletivas, apontando vínculos com condições de trabalho de entregadores, relacionados a plataformas digitais.
Segundo Alencar, o secretário da Educação da época, Rossieli Soares da Silva, defendia que o ensino médio deveria priorizar a entrada no mercado de trabalho, e não apenas o vestibular. A pesquisa completa, com 27 meses de estudo, resultou no livro lançado em 2026 pela Editora Lutas Anticapital.
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