A China está reorganizando o ensino superior para reduzir impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Entre 2021 e 2025, o país revogou ou suspendeu cerca de 12.200 pontos de oferta de cursos, e abriu 10.200 novas vagas ou cursos. O objetivo é ajustar o perfil das graduações ao cenário tecnológico emergente, com foco em IA, robótica e biomanufatura.
A estratégia envolve o Ministério da Educação, que disse ter alinhado parte das graduações ao 14º Plano Quinquenal. Cursos saturados, como Marketing e Tradução, recebem cortes, enquanto áreas técnicas mais demandadas ganham espaço. Além disso, haverá programas de requalificação para jovens com diplomas que se tornarem menos relevantes.
Os detalhes mostram uma mudança estrutural. A ideia é transformar o ensino superior de cima para baixo, buscando diversificar caminhos formativos e evitar dependência de uma única trajetória profissional. Em paralelo, tribunais de Pequim e Hangzhou bloquearam demissões provocadas pela IA, em decisões que sinalizam proteção a trabalhadores, e o Conselho de Estado ordenou a criação de um sistema para mapear impactos da tecnologia no emprego.
Em comparação internacional, especialistas apontam que a IA já afeta funções de diferentes níveis de escolaridade. Estudo recente no Brasil indica alta vulnerabilidade de ocupações com ensino superior diante da IA generativa, especialmente em funções administrativas e analíticas. A discussão mundial ocorre em meio a debates sobre políticas públicas de educação, emprego e qualificação profissional.
A experiência chinesa revela uma aposta por planejamento curricular para conter choques de automação, enquanto outros países observam o mercado reagir de modo mais indireto. O desafio é definir quais competências sustentarão a economia diante de mudanças rápidas provocadas pela IA.
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