O servidor público Vanderley dos Santos Gomes foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por estelionato, após tentar receber uma indenização de R$ 1,5 milhão vendendo uma história de sequestro. O caso aconteceu na Bahia, com atuação em Amélia Rodrigues, e envolve fraude a seguradoras.
Segundo a decisão, o crime ocorreu em julho de 2019. Vanderley relatou ter perdido o pé durante um assalto seguido de sequestro, e que teria sido levado a uma estrada de terra. A prova, porém, apontou inconsistências no relato e no cenário descrito pelo acusado.
A Justiça apurou que ele contratou múltiplas apólices de seguro de vida pouco antes do suposto ocorrido. A defesa alega que houve prequestionamento, mas o tribunal terminou por manter a sentença. Vanderley iniciou o cumprimento da pena em maio, após o trânsito em julgado.
Inconsistências no relato e apuração
- A perícia revelou que a mochila do acusado foi encontrada a cerca de 350 metros do local de socorro, contendo itens supostamente roubados e o pé amputado.
- Juízes entenderam que a amputação não fazia sentido dentro do contexto do crime, já que não havia inimigos ou pedido de resgate.
- O parecer também apontou esquecimentos relevantes sobre a dinâmica do crime e o instrumento utilizado.
- A cronologia indicou possível premeditação financeira, com quatro seguros contratados apenas semanas antes do suposto incidente.
Condenação e antecedentes legais
A Vara de Execuções Penais de São Gonçalo dos Campos fixou a pena em dois anos de reclusão por estelionato. A decisão permite cumprir a pena em regime aberto. Vanderley já havia sido condenado em primeira instância em 2025 e iniciou o cumprimento em maio deste ano.
Reação das seguradoras
Advogados das seguradoras destacaram a multiplicidade de apólices e a relação com renda do servidor. A defesa afirmou que o mercado tem atuado para detectar fraudes em indenizações, reforçando a necessidade de fiscalização integrada. Perícias médicas também validaram as inconsistências no relato do suposto sequestro.
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