O Projeto Recomeçar atua na ressocialização de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. Atua em quatro unidades: duas em São Paulo (Ferraz de Vasconcelos e São José do Rio Preto), uma em Recife (PE) e, desde 2021, no Distrito Federal, em parceria com a Novacap, sob a Lei de Execução Penal.
A iniciativa oferece trabalho, qualificação profissional e acompanhamento psicossocial. Entre as atividades estão jardinagem, serralheria, concretagem e funções de recepção. Ao todo, mais de 300 reeducandos já passaram pelo programa no DF.
Ao longo da trajetória, o projeto já atendeu mais de 120 mil pessoas. Dados da organização indicam que 4.467 passaram por ações de desenvolvimento, 1.150 tiveram acesso a renda, 3.610 receberam qualificação e 66 ingressaram no ensino superior. A taxa de reincidência entre participantes é de 1%.
Carlos, condenado por tráfico de drogas, integra o Recomeçar há meses. Ele cumpre uma rotina de trabalho de oito horas diárias, monitorado por tornozeleira, deslocando-se de Ceilândia para o local de atividade. O salário mensal fica em torno de R$ 1,5 mil, o que ajuda no sustento familiar.
Para ele, o vínculo com o trabalho representa uma mudança de perspectiva após anos de instabilidade. Hoje vê o emprego como uma oportunidade de construir uma vida longe do crime, mantendo a renda de forma lícita.
Reconstruindo identidades
A assistente social Giuliana Sidrim, gestora regional do projeto, destaca que a preparação envolve mais do que atividades laborais. Muitos participantes saem sem documentos, sem referências profissionais ou sentido de pertencimento social. O programa inclui elaboração de currículo, preparo para entrevistas, simulações de processos seletivos e orientação para emissão de documentos.
Segundo a técnica, o desafio é restabelecer autonomia e vínculos após longos períodos de privação de liberdade. O objetivo é devolver ferramentas para que os participantes reconstruam a trajetória e se reconheçam como cidadãos.
Bruno, de 27 anos, também passou pelo sistema por tráfico de drogas e descreve o impacto de uma juventude marcada pela entrada e saída de unidades prisionais. Por meio do acompanhamento, ingressou em um curso técnico em Edificações no IFB, com perspectiva de concluir ainda neste ano.
O papel dos voluntários
O suporte psicológico é uma frente central. Atendimentos são realizados por voluntários e estagiários de psicologia, serviço social, pedagogia e direito. Um grupo de estudantes de psicologia participa por meio de acordos com universidades, contribuindo com relatos de casos e acompanhamento.
Os relatos dos detentos revelam dificuldades como o impacto do ambiente prisional na saúde mental, medo de retornar à criminalidade e o desafio de manter vínculos familiares durante a reinserção. Os atendimentos podem se estender ao longo do tempo, com apoio também aos familiares.
Interessados em atuar como voluntários podem contatar o número disponibilizado pela organização.
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