Três anos de dados sobre afastamento de profissionais da saúde da rede pública do Distrito Federal revelam um peso expressivo dos transtornos mentais. Em 2025, esses diagnósticos explicaram 35,51% dos dias de licença, segundo levantamento da GEPIS/SEEC, com base em LAI. Ao todo, 559.382 dias de afastamento ocorreram em 54.470 atestados.
Entre as razões, transtornos mentais e comportamentais se destacaram como uma das principais causas de afastamento nos últimos anos. No ano passado, 8.334 licenças nasceram de diagnósticos relacionados à saúde mental, correspondendo a 198.636 dias de afastamento.
Aumento de licenças prolongadas também chama atenção: 6.560 licenças de 30 dias ou mais foram registradas em 2024, frente 6.195 em 2023. Dados são compilados pela Gerência de Produção e Informação em Saúde, vinculada à Secretaria de Economia.
Carreiras em destaque
Ao analisar por carreira, enfermeiros e técnicos em enfermagem somaram grande parte dos afastamentos em 2025. Foram 9.462 licenças para enfermeiros e 20.727 para técnicos, representando 17,37% e 38,05% do total, respectivamente.
Segundo o presidente do Coren-DF, as atividades assistenciais expõem profissionais a fatores de violência, situações críticas e perdas, o que impacta a saúde mental. Também aponta estrutura de trabalho e gestão como fatores de sobrecarga.
Para ele, a ansiedade entre a população e situações pessoais afetam a vida funcional dos servidores, especialmente no ambiente de plantão em áreas como o Samu-DF. Casos individuais mostram impactos na produtividade e na saúde mental.
A Secretaria de Saúde afirmou que mantém ações de promoção da saúde, valorização e bem-estar dos trabalhadores. Entre iniciativas, estão programas de Qualidade de Vida no Trabalho, educação permanente e campanhas de saúde mental.
A pasta destacou ainda exames ocupacionais, campanhas de prevenção, combate ao assédio e incentivo à alimentação saudável e à atividade física. As ações são coordenadas pela Subsecretaria de Gestão de Pessoas.
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