O Tribunal do Júri de Guarulhos iniciou nesta segunda-feira o julgamento de três policiais militares acusados de participação na morte do corretor de imóveis Antonio Vinicius Lopes Gritzbach. O crime ocorreu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2024, quando Gritzbach era delator do PCC. O julgamento deve se encerrar nesta sexta-feira.
Conforme a acusação, Ruan Silva Rodrigues e Denis Antônio Martins teriam efetuado os disparos que atingiram Gritzbach, causando sua morte conforme o laudo necroscópico. Além disso, os dois são apontados como autores dos tiros que atingiram outras pessoas na área de desembarque do terminal 2, o que resultou na morte do motorista Celso Araújo Sampaio de Novais. Fernando Genauro da Silva é apontado como quem conduziu o veículo e facilitou a fuga dos atiradores.
A acusação sustenta que Gritzbach atuava como gestor financeiro do PCC, envolvendo imóveis, laranjas e ativos em criptomoedas para dificultar rastreamento. O objetivo seria reaver valores desviados pelo grupo, estimados em milhões de reais, após desconfianças sobre a liquidez das criptomoedas. Em depoimentos contidos nos autos, há relatos sobre alinhavamento de uma operação para permitir a restituição de recursos.
Quem era Gritzbach e o que aconteceu
Segundo os autos, o crime teve vínculo com fraudes e lavagem de capitais vinculadas à organização criminosa. Investigações indicam uma sequência de eventos que levou à morte de dois integrantes do PCC atribuídos ao delatado. A motivação aparece associada à tentativa de controlar recursos vinculados às práticas ilícitas.
Após os disparos, o veículo VW Gol utilizado no crime foi abandonado na Rua Guilherme Lino dos Santos, em Guarulhos. As mochilas com os fuzis e as roupas utilizadas teriam ficado no local, segundo o Ministério Público. O grupo teria cruzado o trajeto até um ponto de ônibus e seguido para o terminal Cecap, onde supostamente ocorreu a fuga com apoio de uma terceira pessoa.
O que dizem as defesas
Antes do início do júri, os advogados que defendem os réus afirmaram que eles são inocentes e não estavam no local no dia do crime. Os juristas questionam a narrativa policial e sugerem manipulação de provas, alegando que há uma banda podre dentro da Polícia Civil envolvida no caso. A defesa de Genauro sustenta que o réu não estava em Guarulhos e não teve qualquer ligação com o crime.
Outro lado aponta que a defesa dos três policiais tenta demonstrar que não houve participação dos acusados nem ligação com os supostos mandantes. Os advogados destacam que os réus não possuem antecedentes criminais e nunca haviam respondido a processos anteriores, defendendo que as acusações teriam sido usadas para encobrir os verdadeiros responsáveis.
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