O júri do caso Gritzbach ouve nesta segunda-feira (22/6) a viúva do motorista de aplicativo atingido no ataque, em Guarulhos. Três policiais militares são acusados de participação na execução de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach no Aeroporto de Guarulhos, em novembro de 2024.
Celso Araújo Sampaio de Novais, 41 anos, morreu no dia 9 de novembro de 2024, um dia após ser baleado no Terminal 2 do aeroporto. O crime ocorreu na área de desembarque, diante de dezenas de testemunhas, minutos depois que Gritzbach foi executado.
Simone Dionísio Novais, viúva de Celso, testemunhou pela manhã. Ela relatou a perda do marido, o sustento da família e o choque de ver o vídeo dele na ambulância. O casal tinha três filhos, com idades entre 5 e 22 anos.
A testemunha descreveu a rotina de Celso como motorista de app, saídas pela manhã e retorno à tarde, sem horário fixo. Conversou com ele cerca de 30 minutos antes do tiroteio; a última ligação foi para apoiar a família e seguir para o hospital.
Simone relatou que os filhos presenciaram o momento. O filho mais novo pediu para o pai acordar; o mais velho ficou ao lado da mãe e o de 15 anos ficou isolado. Ela disse que o pai demonstrou amor aos filhos na última mensagem de Celso.
A viúva afirmou ainda enfrentar dificuldades emocionais e financeiras desde a morte. Celso era o principal provedor e ajudava a família a manter o carro próprio, que precisou ser vendido após o falecimento.
Julgamento e acusações
O julgamento, no Tribunal do Júri de Guarulhos, deve ocorrer até sexta-feira (26/6). Os três PMs são acusados de participação na execução de Gritzbach, após delações envolvendo o PCC.
Segundo a acusação, os atiradores teriam descido de um veículo Gol e efetuado dezenas de disparos com fuzis. O motorista que facilitou a fuga também é apontado como cúmplice. A defesa contesta as provas, alegando manipulação.
O júri conta com quatro homens e três mulheres entre os jurados. Até o meio da manhã, três testemunhas já haviam sido ouvidas, incluindo vítimas do dia do crime e a viúva de Celso.
Defesa e provas
O advogado de defesa afirma que as provas teriam sido forjadas para incriminar os policiais. A investigação utiliza GPS, imagens de câmeras, dados de celulares e exames de DNA para sustentar a presença dos PMs no local do crime. A defesa questiona a confiabilidade de parte das evidências encontradas.
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