Jade Dias, uma mulher trans de 56 anos, vive em Juiz de Fora, Minas Gerais. Nesta data emblemática do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, sua trajetória evidencia décadas de invisibilidade e busca por sobrevivência. A história dela simboliza a realidade de muitas pessoas trans que envelhecem sem garantias de direitos.
Nascida numa família de classe humilde, ela cresceu na periferia da cidade na época da ditadura. Desde cedo percebeu que não se encaixava nos padrões impostos ao corpo feminino, o que provocou conflitos familiares, rejeição e violência. O que era visto como segredo ameaçava sua vida.
Na juventude, Jade buscou proteção na fé, ingressando num seminário de Juiz de Fora para tentar uma vida menos exposta. Ao perceber que não poderia viver ocultando quem era, deixou a formação e passou a enfrentar a rejeição social sem alternativa viável de emprego formal.
Para sobreviver, Jade recorreu à prostituição em diferentes cidades do Brasil e chegou a morar por meses na Itália. Mantinha-se com trabalho precário, além de enfrentar episódios de dependência química como forma de lidar com a dor de não ser compreendida.
O envelhecimento, antes visto como improvável, tornou-se uma conquista. Aos 56 anos, ela supera a expectativa de vida média da população trans no país e lidera uma atuação comunitária em Dom Bosco, Juiz de Fora, orientando jovens LGBT+ da região.
Em 2017, Jade realizou a transição de gênero com apoio social e psicológico, após aguardar quase uma década pela cirurgia de redesignação sexual pelo SUS. A mudança mais significativa foi interna, com a aceitação de que a mulher já havia existido dentro dela.
Hoje, Jade mantém a vida na cidade e tornou-se referência para quem busca acolhimento. Ativa na rede local, ela incentiva o compartilhamento de histórias para apoiar a comunidade e reforçar a importância de direitos e cuidado coletivo.
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