O Romi-Isetta, com apenas uma porta frontal, é reconhecido como o primeiro carro produzido no Brasil. Em 1956, o veículo foi lançado pela Indústrias Romi, em Santa Bárbara d’Oeste, após a licença com a italiana Iso. O chassi alvo deste relato é o 05, que representa o quinto automóvel nacional.
A produção começou com 72% de nacionalização, contando com parte mecânica importada. O Governo de Juscelino Kubitschek criou o Geia para incentivar a indústria automotiva, impondo regras para o que seria considerado carro de família.
O Romi-Isetta ficou registrado como um 2+1, com apenas uma porta frontal. O preço subiu após o acerto com o Geia, tornando o Isetta mais caro que o Fusca. A falta de subsídios levou à queda de produção, encerrada em 1961, com 3.150 unidades vendidas.
O 2,27 metros de comprimento, 1,32 metro de altura e 350 kg de peso destacam as dimensões do modelo. O entre-eixos mede 1,50 m, e a suspensão traseira é por eixo rígido. O motor lateral variou entre 236 cm³ de 9,5 cv e, na versão de 1959, 298 cm³ com 13 cv.
Na década de 1950, a versão de 9,5 cv usava motor dois tempos; a BMW forneceu o motor de 298 cm³ em 1959. A autonomia teórica chegava a 325 km com tanque de 13 litros, atingindo até 95 km/h. O consumo declarado era de cerca de 25 km por litro.
A unidade restaurada pelo empresário André Beldi, baseada no chassi 05, recebeu atenção de quatro anos de trabalho. A restauração buscou peças originais para manter a autenticidade do carro, desde o teto de lona até o interior.
O Romi-Isetta foi projetado por engenheiros aeronáuticos para priorizar aerodinâmica. O design lembrava um besourinho, com uma porta frontal que se acoplava à coluna de direção. O carro tem quatro rodas, apesar do perfil compacto.
Durante o restauro, a experiência de dirigir o carro revelou desafios: câmbio manual de quatro marchas com padrão invertido, pedais pequenos e uma cabine quente. O motorista precisa de paciência para engatar as marchas sem sincronizador.
A importância histórica do Romi-Isetta vai além do tamanho. O veículo ajudou a BMW na recuperação pós-guerra e destaca a ousadia brasileira na indústria automotiva. O modelo permanece como símbolo de inovação, mesmo com o fim precário no país.
Relíquia recuperada
A unidade é considerada histórica por ter participado da carreata de lançamento, em 1956. A hipótese de Jânio Quadros, então governador de São Paulo, ter dirigido o carro durante o evento também é mencionada por fontes históricas. O chassi 05 representa esse marco da mobilidade brasileira.
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