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PF indicia 16 por queda de avião da Voepass; inquérito vai ao MPF

Investigação da Polícia Federal aponta falhas técnicas, omissões e descumprimento de procedimentos de segurança

Equipes trabalham após queda de avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo.
Equipes trabalham após queda de avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024 | Divulgação/Secretaria de Segurança de SP

Após dois anos, a Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O caso será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.

De acordo com a investigação, os indiciados ocupavam funções ligadas às operações e à engenharia aeronáutica e teriam contribuído para o acidente por ação ou negligência. Entre os responsabilizados estão o proprietário da empresa e o diretor de manutenção.

A tragédia aconteceu em agosto de 2024, quando o avião caiu sobre uma casa em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando os 62 ocupantes, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes. A aeronave saiu do Aeroporto Regional do Oeste, localizado no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos.

Após dois anos, a Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O caso será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.

De acordo com a investigação, os indiciados ocupavam funções ligadas às operações e à engenharia aeronáutica e teriam contribuído para o acidente por ação ou negligência. Entre os responsabilizados estão o proprietário da empresa e o diretor de manutenção.

Segundo o delegado André Almeida Azevedo Ribeiro, responsável pela investigação, havia uma orientação interna para que os pilotos não registrassem falhas no diário de bordo, evitando que as aeronaves fossem retiradas de operação para manutenção. Em razão dessa prática, a Polícia Federal também apontou indícios do crime de falsidade ideológica.

A tragédia aconteceu em agosto de 2024, quando o avião caiu sobre uma casa em Vinhedo, no interior de São Paulo, matando os 62 ocupantes, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes. A aeronave saiu do Aeroporto Regional do Oeste, localizado no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos.

O que concluiu a PF

O laudo pericial da PF, apresentado nesta quinta-feira (6), concluiu que: o avião entrou em uma área de forte formação de gelo com o sistema de degelo apresentando falha. O acúmulo de gelo, portanto, reduziu o desempenho do avião, causando perda de velocidade e perda de controle. Antes de cair, o avião entrou em posição parafuso, realizando cinco giros em torno do próprio eixo.

Conforme os peritos, os procedimentos previstos para esse tipo de situação também não foram executados adequadamente pela tripulação. O piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos morreram na tragédia.

Segundo a polícia, a investigação também identificou que essa falha foi registrada em voos anteriores, mas não foi comunicada oficialmente no diário de bordo, o que impediu a retirada da aeronave para manutenção. A ausência desses registros foi confrontada com dados recuperados da caixa-preta, que revelaram problemas recorrentes no sistema de degelo antes do acidente.

+ Voepass: avião apresentava diversas falhas e não deveria ter decolado

A perícia afirma ainda que a aeronave emitiu sucessivos alertas de perda de desempenho e redução de velocidade durante o voo, mas os procedimentos operacionais previstos para essas situações não foram realizados pela tripulação. O relatório também aponta que não há registro de solicitação de mudança de altitude para escapar das condições severas de formação de gelo.

Na conclusão do inquérito, a PF sustenta que a tragédia foi resultado dessa combinação de fatores, além de citar uma cultura organizacional de subnotificação de falhas, com panes omitidas para evitar a interrupção das operações.

Após os indiciamentos, caberá ao Ministério Público Federal analisar as conclusões da investigação e decidir se oferece denúncia. Caso a acusação seja aceita pela Justiça, terá início a ação penal contra os investigados.

+ Cenipa divulga relatório final sobre acidente da Voepass

O que diz a Voepass

A queda do voo 2283, em 9 de agosto de 2024, foi o episódio mais difícil da história da VOEPASS. Desde o momento do acidente, a empresa esteve solidária às famílias das vítimas, compartilhando uma dor que permanece presente em sua memória.

Em mais de 30 anos de operações na aviação brasileira, a companhia jamais havia enfrentado uma situação como essa. Ao longo de três décadas, sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.

A atuação da empresa sempre esteve paut/ada em padrões de segurança internacionais, contando inclusive com a certificação IOSA desde 2012, um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas IATA.

A tripulação do voo 2283 era experiente, capacitada e devidamente certificada, acumulando mais de 5.000 horas de voo e com treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação.

Desde o início das apurações, a VOEPASS atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário.”

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