O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo em 2024 apresentava problemas em diversos instrumentos e sequer deveria ter decolado. Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o sistema de degelo falhava ao ser acionado. O limpador de parabrisa também não funcionava. Pelas normas aeronáuticas, […]
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo em 2024 apresentava problemas em diversos instrumentos e sequer deveria ter decolado.
Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o sistema de degelo falhava ao ser acionado. O limpador de parabrisa também não funcionava. Pelas normas aeronáuticas, diante das condições meteorológicas do momento, a aeronave não deveria ter sido liberada para voar sem o limpador em operação. Além disso, outros dez itens apresentavam problemas.
O relatório ainda destaca que a tripulação não reconheceu a gravidade da situação enfrentada, o que impediu uma resposta adequada aos alertas emitidos pelo sistema da aeronave. A atuação dos comandantes também destoou do padrão esperado com base nos treinamentos recebidos.
Em um voo realizado na véspera do acidente, o sistema de degelo já havia apresentado a mesma falha, mas a tripulação daquela viagem (não a mesma do dia da tragédia) não fez o registro no diário de bordo.
A Cenipa apontou que a companhia convivia com uma cultura de normalização de desvios, e aeronaves costumavam ser utilizadas sob condição MEL (Minimum Equipment List). Essa situação autoriza o voo mesmo com equipamentos fora de funcionamento, desde que o reparo seja concluído dentro de um prazo estabelecido – o que, segundo o órgão, não vinha sendo cumprido.
As informações foram divulgadas pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes durante coletiva de imprensa para apresentação do relatório final sobre a tragédia.
Relembre o caso
A tragédia, ocorrida em 9 de agosto de 2024, matou as 62 pessoas a bordo, entre quatro tripulantes e 58 passageiros. O acidente é considerado o mais grave da aviação brasileira desde 2007, ano da tragédia com o voo TAM 3054, no aeroporto de Congonhas.
O avião, um ATR 72-500 de matrícula PS-VPB, decolou às 14h58 de Cascavel, no Paraná, rumo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Minutos antes do início do procedimento de pouso, enfrentou condições meteorológicas propícias à formação de gelo, perdeu sustentação e entrou em estol – quando as asas deixam de manter a aeronave em voo.
A queda foi flagrada por moradores da região, que registraram o momento em que o avião atingiu o solo em um condomínio residencial em Vinhedo.
Voepass ATR 72-500 passenger plane (PS-VPB) 2024 crash report latest update:
The latest CENIPA report on the August 9, 2024 crash of the Brazilian Voepass aircraft indicates that the combination of crew conduct inflight, internal safety management issues of the carrier along… pic.twitter.com/wPy1TUDfWZ
— FL360aero (@fl360aero) July 8, 2026
De acordo com o Cenipa, comandante e copiloto tinham treinamento específico para voos em condições de formação de gelo, com instruções teóricas e práticas. As duas comissárias possuíam licenças e habilitações em dia, e toda a tripulação contava com experiência no modelo da aeronave e certificados médicos aeronáuticos válidos.
Fabricado em 2010, o ATR 72-500 integrava a frota da Voepass desde setembro de 2022. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) da aeronave estava dentro do prazo de validade no momento do acidente.
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