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Voepass: avião apresentava diversas falhas e não deveria ter decolado

Cenipa aponta problemas em sistema de degelo e limpador de parabrisa; voo não poderia ter sido autorizado por causa do mau tempo

Homem fardado, de farda azul-clara, segura um avião de brinquedo levantado com a mão direita, com um mapa de tráfego aéreo projetado ao fundo
O tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador do Cenipa, apresenta dados da investigação sobre o acidente da Voepass em coletiva de imprensa. Crédito: Reprodução/AFP

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo em 2024 apresentava problemas em diversos instrumentos e sequer deveria ter decolado. Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o sistema de degelo falhava ao ser acionado. O limpador de parabrisa também não funcionava. Pelas normas aeronáuticas, […]

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo em 2024 apresentava problemas em diversos instrumentos e sequer deveria ter decolado.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o sistema de degelo falhava ao ser acionado. O limpador de parabrisa também não funcionava. Pelas normas aeronáuticas, diante das condições meteorológicas do momento, a aeronave não deveria ter sido liberada para voar sem o limpador em operação. Além disso, outros dez itens apresentavam problemas.

O relatório ainda destaca que a tripulação não reconheceu a gravidade da situação enfrentada, o que impediu uma resposta adequada aos alertas emitidos pelo sistema da aeronave. A atuação dos comandantes também destoou do padrão esperado com base nos treinamentos recebidos.

Em um voo realizado na véspera do acidente, o sistema de degelo já havia apresentado a mesma falha, mas a tripulação daquela viagem (não a mesma do dia da tragédia) não fez o registro no diário de bordo.

A Cenipa apontou que a companhia convivia com uma cultura de normalização de desvios, e aeronaves costumavam ser utilizadas sob condição MEL (Minimum Equipment List). Essa situação autoriza o voo mesmo com equipamentos fora de funcionamento, desde que o reparo seja concluído dentro de um prazo estabelecido – o que, segundo o órgão, não vinha sendo cumprido.

As informações foram divulgadas pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes durante coletiva de imprensa para apresentação do relatório final sobre a tragédia.

Relembre o caso

A tragédia, ocorrida em 9 de agosto de 2024, matou as 62 pessoas a bordo, entre quatro tripulantes e 58 passageiros. O acidente é considerado o mais grave da aviação brasileira desde 2007, ano da tragédia com o voo TAM 3054, no aeroporto de Congonhas.

O avião, um ATR 72-500 de matrícula PS-VPB, decolou às 14h58 de Cascavel, no Paraná, rumo ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Minutos antes do início do procedimento de pouso, enfrentou condições meteorológicas propícias à formação de gelo, perdeu sustentação e entrou em estol – quando as asas deixam de manter a aeronave em voo.

A queda foi flagrada por moradores da região, que registraram o momento em que o avião atingiu o solo em um condomínio residencial em Vinhedo.

De acordo com o Cenipa, comandante e copiloto tinham treinamento específico para voos em condições de formação de gelo, com instruções teóricas e práticas. As duas comissárias possuíam licenças e habilitações em dia, e toda a tripulação contava com experiência no modelo da aeronave e certificados médicos aeronáuticos válidos.

Fabricado em 2010, o ATR 72-500 integrava a frota da Voepass desde setembro de 2022. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) da aeronave estava dentro do prazo de validade no momento do acidente.

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