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Tarcísio insinua ligação de Haddad com o crime organizado; petista rebate

Candidatos trocaram acusações durante discussão sobre segurança pública e apresentaram propostas para combater o avanço das facções em São Paulo

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad no debate da Band ao governo do Estado de São Paulo (Foto: Reprodução/Band)

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), insinuou que o ex-prefeito da capital e candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) teria ligação com uma mulher apontada como integrante do crime organizado durante o debate da Band, realizado neste domingo (9). Haddad reagiu à acusação e negou qualquer relação com criminosos.

O embate ocorreu durante a discussão sobre segurança pública, quando os candidatos apresentavam propostas para combater o avanço das organizações criminosas e o domínio territorial de facções no estado.

+ Tarcísio e Haddad divergem sobre educação e segurança pública em debate da Band

Tarcísio afirmou que sua gestão teve “coragem” para enfrentar o crime organizado e citou operações realizadas em diferentes regiões de São Paulo. Entre os exemplos, mencionou ações na Baixada Santista e a retirada de barricadas em comunidades.

“Para resolver esse problema do domínio territorial, primeiro tem que ter coragem. Esse é o principal atributo que nós tivemos ao longo desse mandato”, afirmou.

Na sequência, o governador citou uma operação realizada na favela do Moinho, na região central da capital, e afirmou que Haddad dividiu palco com uma mulher que, segundo ele, comandava o tráfico na comunidade. Ele se refere a Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, apontado por investigações como um dos principais líderes do tráfico do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Haddad reagiu imediatamente à declaração e questionou por que Tarcísio não teria prendido a mulher caso soubesse, à época, que ela era integrante do crime organizado.

“Eu lá vou saber quem é do tráfico? Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece?”, respondeu Haddad. “Se você sabia que ela era uma traficante, por que você não foi lá prender? Eu não sabia. Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela.”

O petista também afirmou que não tem proximidade com organizações criminosas e criticou a estratégia de segurança adotada pelo governo estadual. Segundo Haddad, o combate ao crime organizado exige mais do que ações ostensivas e deve atingir a estrutura financeira das facções.

“Só a truculência não vai resolver. Ou você combate o andar de cima, asfixia financeiramente o crime organizado, ou nós vamos continuar vendo Comando Vermelho no Vale do Paraíba”, afirmou.

Haddad citou ainda a presença de milícias na Baixada Santista e o surgimento de grupos criminosos em Campinas como exemplos de problemas que, na avaliação dele, ainda precisam ser enfrentados pelo Estado.

Propostas

Antes do confronto, Haddad apresentou uma proposta de integração entre diferentes órgãos de segurança e fiscalização. O candidato afirmou que pretende criar um gabinete institucional com participação das polícias Civil e Militar, Ministério Público Estadual e Federal, Polícia Federal, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo Haddad, o grupo seria responsável por integrar informações de inteligência e compartilhar dados sobre a criminalidade. Ele também defendeu a modernização dos boletins de ocorrência e o uso de câmeras com sistemas inteligentes para auxiliar na identificação de crimes e na realização de flagrantes.

“Nós vamos dar um choque de gestão na segurança pública com a autoridade do governador”, disse.

Tarcísio, por sua vez, defendeu os resultados de sua gestão e afirmou que o governo ampliou o efetivo policial e realizou operações contra organizações criminosas em diferentes regiões do estado. O candidato também prometeu manter as ações na Baixada Santista e afirmou que pretende continuar combatendo o domínio territorial das facções.

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