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Amorim critica tentativa dos EUA de impor embaixador ao Brasil: “Não foi por acaso”

Assessor de Lula classificou o episódio como parte de uma escalada de medidas que preocupam pela soberania nacional

Amorim critica tentativa dos EUA de impor embaixador ao Brasil
Amorim critica tentativa dos EUA de impor embaixador ao Brasil. | Foto: Agência Brasil

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, criticou nesta quarta-feira (12) a tentativa dos Estados Unidos de pressionar o Brasil a aceitar a indicação de um novo embaixador americano sem o cumprimento dos procedimentos diplomáticos previstos entre os dois países. Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em Brasília, Amorim afirmou que o episódio representa o mais recente capítulo de uma série de iniciativas do governo norte-americano que, segundo ele, levantam preocupações sobre a soberania brasileira.

“O mais recente episódio da escalada de hostilidades ao governo brasileiro foi a tentativa de constranger o país a aceitar o nome de um embaixador americano sem respeitar os ritos estabelecidos na Convenção de Viena”, declarou.

Amorim detalhou as irregularidades que, segundo ele, marcaram o processo de escolha do representante diplomático. Para o assessor, os Estados Unidos não respeitaram os procedimentos internacionais ao divulgar o nome antes de obter o chamado agrément, que corresponde à anuência do país que receberá o embaixador.

“O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais”, afirmou.

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, criticou nesta quarta-feira (12) a tentativa dos Estados Unidos de pressionar o Brasil a aceitar a indicação de um novo embaixador americano sem o cumprimento dos procedimentos diplomáticos previstos entre os dois países.

Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em Brasília, Amorim afirmou que o episódio representa o mais recente capítulo de uma série de iniciativas do governo norte-americano que, segundo ele, levantam preocupações sobre a soberania brasileira.

“O mais recente episódio da escalada de hostilidades ao governo brasileiro foi a tentativa de constranger o país a aceitar o nome de um embaixador americano sem respeitar os ritos estabelecidos na Convenção de Viena”, declarou.

🔎 Os EUA indicaram Daniel Anthony Perez para embaixador no Brasil. O nome foi aprovado pelo Senado americano, mas ainda depende do agrément do governo brasileiro para assumir o posto, o que gerou a crise. Em resposta ao impasse, o governo Trump também revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Amorim detalhou as irregularidades que, segundo ele, marcaram o processo de escolha do representante diplomático. Para o assessor, os Estados Unidos não respeitaram os procedimentos internacionais ao divulgar o nome antes de obter o chamado agrément, que corresponde à anuência do país que receberá o embaixador.

“O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais”, afirmou.

Na avaliação de Amorim, a condução do processo também chama atenção pelo momento em que ocorreu. Ele lembrou que os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem um embaixador efetivo no Brasil após a saída da representante da gestão Joe Biden. “E é curioso porque eu acho que essas coisas não podem ser vistas em abstrato. Isso não aconteceu por acaso”, afirmou.

Amorim afirmou ainda que a escolha do novo representante ocorreu, na avaliação dele, de maneira acelerada e em um momento politicamente sensível. “De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quis acreditar um outro embaixador”, completou.

Críticas fazem parte de contexto de tensão entre Brasil e EUA

Ao longo do discurso, Amorim mencionou diferentes ações adotadas pelo governo do presidente Donald Trump que, na avaliação do governo brasileiro, provocaram tensão nas relações bilaterais. Entre elas estão o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, críticas norte-americanas ao Pix e à regulamentação de plataformas digitais, além de manifestações sobre decisões do Supremo Tribunal Federal(STF)  e questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro.

Amorim também citou a prorrogação, pelos Estados Unidos, da declaração de emergência nacional relacionada ao Brasil. Segundo ele, o governo americano apresentou como justificativa alegações de censura, violações de direitos e perseguição política à família Bolsonaro.

Outro episódio mencionado pelo assessor foi a vinda de dois funcionários do Departamento dos EUA ao Brasil para questionar a integridade do sistema eleitoral. De acordo com Amorim, os vistos dos funcionários foram negados.

+ EUA cancelam visto da embaixadora do Brasil em Washington

Brasil defende relação com os EUA baseada em respeito mútuo

Apesar das críticas, Amorim destacou a importância da relação histórica entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, os dois países têm mais de 200 anos de relações e mantêm cooperação em diferentes áreas. “Temos a responsabilidade de demonstrar que divergências políticas podem ser administradas dentro dos marcos institucionais, com respeito mútuo, diálogo e observância ao direito internacional”, disse.

Para Amorim, a posição brasileira não significa romper o diálogo com Washington. Ao contrário, ele defendeu a manutenção da cooperação entre os países, desde que sejam respeitados a soberania brasileira e os procedimentos diplomáticos.

“O Brasil permanece aberto à cooperação respeitosa da nossa soberania, ao intercâmbio de informações e à construção de soluções conjuntas que beneficiem todos os países envolvidos”, afirmou.

O assessor também reforçou que a política externa brasileira deve preservar a autonomia do país e evitar alinhamentos automáticos. “O governo leva a cabo uma política externa universalista e altiva, que não sacrifica nossa independência”, declarou.

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