A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos. A informação foi confirmada pela família da artista. Considerada um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, ela construiu uma carreira de mais de seis décadas no teatro, no cinema e, principalmente, na televisão.
A artista morreu no começo da tarde em sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A morte ocorreu por causas naturais e, segundo a família, “de forma tranquila”. Ela estava na companhia de seu filho, Tarcisio Meira Filho.
“Neste momento de despedida, a família agradece profundamente a todas as manifestações de carinho, afeto e respeito recebidas ao longo de sua trajetória e, especialmente nesse momento de partida. Pedimos compreensão e privacidade neste momento de dor e agradecemos a todos que, de alguma forma, fizeram parte da vida e da história dela. A cerimônia de despedida será reservada para a família”, disse, em nota oficial.
Glória foi pioneira ao protagonizar a primeira novela diária da TV brasileira. Seu último trabalho na televisão foi interpretando a si mesma em um episódio da série “Tá no Ar: a TV na TV”, em 2018.
Nesta terça-feira, também morreu a atriz Laura Cardoso. Diante das duas perdas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decretou luto oficial de três dias. Nas redes sociais, Lula afirmou que a medida é uma forma de reconhecer a contribuição das duas artistas para a cultura e a dramaturgia brasileira.
Início da carreira
Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória Menezes era o nome artístico de Nilcedes Soares de Magalhães.
Aos seis anos, mudou-se com a família para São Paulo. Mais tarde, estudou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), onde participou da formação do grupo teatral Jovens Independentes.
A carreira na televisão começou em 1959, com trabalhos na TV Tupi. No mesmo ano, participou da novela “Um Lugar ao Sol”, dirigida por Dionísio Azevedo. No teatro, um dos primeiros trabalhos de destaque foi “As Feiticeiras de Salém”, de Arthur Miller, em montagem dirigida por Antunes Filho.
Um dos primeiros grandes momentos da carreira veio no cinema com “O Pagador de Promessas”, de 1962, dirigido por Anselmo Duarte. Glória interpretou Rosa no filme baseado na peça de Dias Gomes.
A produção venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, consolidando a presença de Glória Menezes entre os principais nomes brasileiros.
Parceria com Tarcísio Meira
Na televisão, um dos capítulos mais marcantes da trajetória de Glória Menezes foi a parceria profissional e pessoal com o ator Tarcísio Meira.
Os dois trabalharam juntos em “2-5499 Ocupado”, da TV Excelsior, em 1963. A novela marcou o início de uma longa parceria artística. Os dois se casaram e permaneceram juntos por mais de cinco décadas, até a morte de Tarcísio Meira, em 2021.
Na Globo, onde estreou em 1967 com “Sangue e Areia”, Glória e Tarcísio se tornaram um dos casais mais conhecidos da TV. Ao longo das décadas, trabalharam juntos em produções como “Rosa Rebelde”, “Espelho Mágico”, “Guerra dos Sexos”, “Tarcísio & Glória”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”.
Glória Menezes participou de mais de 40 novelas na Globo e esteve em produções que marcaram diferentes períodos da teledramaturgia brasileira.

Glória Menezes em “Pai Herói”, novela exibida em 1979. | Divulgação/TV Globo
Seu último trabalho regular em uma novela foi “Totalmente Demais”, em 2015. Ao longo da carreira, também participou de séries e programas especiais.
Vida pessoal e filhos
Glória Menezes foi casada com Tarcísio Meira de 1963 até a morte do ator, em 2021. Os dois tiveram um filho, Tarcísio Filho. A atriz também era mãe de Maria Amélia e João Paulo, de um relacionamento anterior.
Em agosto de 2021, Glória e Tarcísio foram diagnosticados com Covid-19 e internados no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Glória recebeu alta depois. Tarcísio morreu em 12 de agosto daquele ano, aos 85 anos, em decorrência de complicações da doença.
Ao longo da carreira, Glória Menezes recebeu diversos prêmios e homenagens. Entre eles estão o Troféu Oscarito, do Festival de Gramado, o Troféu Mário Lago, além de prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Troféus Imprensa e Prêmios Qualidade Brasil.
Entre na conversa da comunidade