O Aeroporto de Congonhas poderá continuar recebendo e liberando voos depois das 23h quando uma situação excepcional, como mau tempo, atrasar a programação do dia. A decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), divulgada nesta quinta-feira (10), vale apenas para voos que já estavam previstos e não muda o horário oficial de funcionamento do aeroporto.
A medida cria uma saída para dias em que atrasos provocados por fatores externos às companhias impedem que todos os voos sejam concluídos até as 23h. Não será permitido incluir novas operações nem distribuir horários extras nesse período.
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A intenção é evitar que um problema em Congonhas provoque uma sequência de atrasos e cancelamentos em outros aeroportos, afetando conexões, aeronaves e passageiros.
Hoje, uma resolução de 2008 impede operações comerciais regulares e de aviação geral depois das 23h. A norma já prevê algumas exceções, como transporte de pacientes em estado grave, órgãos para transplante e operações de busca e salvamento, mas não tratava especificamente de atrasos provocados por contingências.
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Mudança ainda depende de acordo
A nova possibilidade ainda não poderá ser usada imediatamente. Antes, Decea, concessionária de Congonhas e as companhias Latam, Gol e Azul precisam concluir uma Carta de Acordo Operacional. O documento vai determinar quais situações poderão justificar a extensão do horário e como a medida será acionada.
A discussão começou a partir de um pedido da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Segundo dados apresentados no processo, mais de 120 mil passageiros foram afetados em dois episódios recentes. Um relacionado a eventos meteorológicos e outro a um vazamento de gás nas instalações do controle de tráfego aéreo.
A avaliação apresentada à Anac é que parte desses impactos poderia ter sido reduzida caso os voos já programados pudessem ser concluídos depois das 23h.
Situações desse tipo são raras. Até junho de 2026, houve duas ocasiões em que as operações ultrapassaram esse horário. Em todo o ano de 2025, foram cinco.
Depois que o acordo for concluído, a Anac acompanhará os efeitos da medida antes de avaliar possíveis mudanças futuras nas regras de Congonhas.
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