Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

STF suspende por até 90 dias votação sobre investigação de Moraes após Dino pedir vista

Plenário analisa relatório da PF sobre conversas entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

STF analisa se Moraes pode ser investigado por relação com Vorcaro | Foto: Gustavo Moreno/STF
STF analisa se Moraes pode ser investigado por relação com Vorcaro | Foto: Gustavo Moreno/STF

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de iniciar uma investigação a respeito das relações do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de fraude em sua gestão do Banco Master, foi suspenso no final da tarde desta terça-feira (15) por um pedido de vista do ministro Flávio Dino enquanto a Corte debatia questões relativas ao trâmite do processo.

A sessão para discutir a eventual abertura de uma investigação sobre Moraes começou pouco depois das 10h30. Após a leitura do relatório do caso pelo relator e presidente do STF, Edson Fachin, os ministros Kassio Nunes Marques e José Antonio Dias Toffoli anunciaram que não votariam na sessão.

Em seguida, os ministros Dino e Gilmar Mendes argumentaram que o correto, segundo as regras processuais, seria analisar a matéria do dia junto com os questionamento à atuação do relator anterior, ministro André Mendonça, cuja avaliação já havia sido marcada para 23 de setembro. Quatro ministros votaram a favor da análise conjunta — além de Dino e Mendes, Cristiano Zanin e Moraes –, e quatro, contra — Fachin, Mendonça e Luiz Fux Cármem Lúcia. Como Dino pediu vista, Fachin excluiu seu voto da contagem e proclamou o placar parcial como quatro votos contra e três a favor. Dino tem até 90 dias para concluir a vista do processo.

+ Sessão do STF é marcada por acusações e bate-boca entre ministros

O que o STF analisa

O caso chegou ao plenário após o ministro Mendonça encaminhar à Corte conversas encontradas pela Polícia Federal (PF) entre Vorcaro e um número de celular atribuído a Moraes. As mensagens foram obtidas depois que a PF teve acesso ao celular do ex-banqueiro. Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

+ “Quem tem medo da PF?”, diz Moraes em bate-boca com Mendonça

Segundo a investigação, Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com esse celular antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025. O contato com Vorcaro teria ocorrido depois que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, prestou serviços ao banco.

A Constituição e o Regimento Interno do STF estabelecem que cabe ao plenário da própria Corte julgar seus ministros.

O que dizem as mensagens

As conversas entre Vorcaro e o número atribuído a Moraes vieram a público em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do caso e encaminhou o material a Edson Fachin. As mensagens mostram que Vorcaro estava preocupado com o avanço das investigações da Polícia Federal.

Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro cita o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Vorcaro escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”.

Até o momento, não há indícios de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas investigações.

+ Gonet diz ao STF que só encontrou Vorcaro uma vez: “Brevíssimo e banal”

No dia seguinte, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite, que era responsável pelo caso na Justiça Federal em Brasília, e questionou se poderia ser preso. “Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”, escreveu.

Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso por determinação de Ricardo Leite. Meses depois, as investigações foram encaminhadas ao Supremo.

Divulgação das conversas

Desde que as mensagens vieram a público, têm havido divergências sobre a forma como as mensagens foram obtidas e analisadas.

Gonet defendeu a anulação do relatório da PF que identificou as mensagens. Para o procurador-geral da República, Mendonça investigou Moraes de forma irregular ao determinar o aprofundamento das apurações para analisar as conversas entre o ministro e Vorcaro, porque uma investigação desse tipo só poderia ser realizada após autorização do plenário do Supremo.

*Com informações da Agência Brasil

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais