Pessoas com deficiência enfrentam maiores taxas de analfabetismo, piores condições de moradia e menor participação em cargos de liderança. Os dados fazem parte da segunda edição do estudo “Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na educação, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência chegava a 12,2%, enquanto entre aqueles sem deficiência era de 1%. Além disso, na faixa de seis a 14 anos, 82,3% das crianças com deficiência profunda frequentavam a escola. Em contrapartida, o percentual era de 98,4% entre crianças sem deficiência.
Luanda Botelho, Coordenadora de População e Indicadores Sociais (Copis), esclarece que isso ocorre. Segundo ela, uma parcela das pessoas com deficiência profunda não frequenta instituições de ensino.
“Para o grupo da deficiência profunda, que são as pessoas que demandam maior suporte e maiores adaptações dentro do ambiente escolar, um terço está fora da escola, numa faixa etária em que a educação é obrigatória”, diz Luanda.

As pessoas com deficiência recebiam, em média, R$ 2.053 por mês em 2022, valor equivalente a 71% da renda média das pessoas sem deficiência, de R$ 2.890.
Segundo o Censo 2022, o país tinha 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais.
No mercado de trabalho, a diferença também era expressiva. O nível de ocupação entre pessoas com deficiência era de 29%, contra 55,8% entre aquelas sem deficiência. Entre pessoas com deficiência profunda, o índice caía para 21,2%.
O levantamento também aponta barreiras de acessibilidade. 67,4% das pessoas com deficiência em áreas urbanas viviam em locais com obstáculos nas calçadas, e apenas 12,9% tinham rampas para cadeirantes no entorno da residência.
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Em favelas e comunidades urbanas, 56,6% tinham acesso simultâneo a esgotamento sanitário, abastecimento de água e coleta de lixo, percentual abaixo dos 60,2% registrados entre pessoas sem deficiência. O acesso à internet também era menor, de 78,9% contra 90,2%.
Segundo o TSE, a presença de pessoas com deficiência em cargos eletivos diminuiu entre 2020 e 2024. O número de vereadores eleitos caiu de 522 para 391, enquanto o de prefeitos recuou de 56 para 24, uma redução de 57,1%. Por fim, nas eleições de 2022, a representação também foi baixa nas Assembleias Legislativas e na Câmara dos Deputados. Havia três deputados estaduais e dois deputados federais com deficiência eleitos.
A participação em cargos de liderança também era baixa. Das 2,3 milhões de posições gerenciais identificadas pelo Censo, apenas 2,5% eram ocupadas por pessoas com deficiência.
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