A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), duas entidades que representam casas de apostas, publicaram um manifesto nesta sexta-feira (25) criticando a possível proibição das bets.
Na última quinta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que pretende “acabar com as bets no Brasil”. Ele fará um evento nesta sexta-feira (25), em São Paulo, sobre medidas de proteção às famílias e a à economia popular, e a expectativa é de que anuncie medidas contra as casas de apostas.
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Em nota, as associações afirmam que a proibição “não acaba com as apostas, mas com a proteção de quem aposta”. Isso porque, para as entidades, as apostas não deixarão de ser feitas com a MP, mas sim passarão a serem realizadas em sites ilegais e sem regulamentação.
A ANJL tem como associadas diversas casas de apostas, como a Superbet, Aposta Ganha, Estrela Bet, Esporte 365 e a 1xBet, enquanto a IJBR conta com a Betano, BetFair, SportingBet, KTO e BetNacional, dentre outras.
O manifesto declara que um mercado regulado é a “melhor alternativa” para enfrentar o endividamento das famílias com as casas de apostas. As associações apontam medidas de combate — como a proibição de que beneficiários de programas sociais apostem, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e o programa de autoexclusão do Ministério da Fazenda — como ações só possíveis com bets regulamentadas.
Autoexclusão das apostas por perda de controle
Em nota enviada ao Portal Tela, o Ministério da Fazenda informou que a plataforma centralizada de autoexclusão, disponibilizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas em dezembro de 2025, já atendeu mais de 1.3 milhão de pedidos de autobloqueio até os dias de hoje. O serviço consiste em um cadastro para que o usuário possa se excluir de todos sites legalizados de bets.
Segundo a Fazenda, o motivo mais frequente para a autoexclusão (36,46%) foi “perda de controle sobre o jogo por saúde mental”, seguido por “prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas” (20,63%). A enorme maioria (66,69%) dos pedidos aconteceu por tempo indeterminado.
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, foram 255 mil pedidos. De janeiro até junho de 2026, neste primeiro semestre do ano, foram registrados 758 mil pedidos de autobloqueio. De acordo com o Ministério da Fazenda, “os números demonstram a crescente utilização da Plataforma Centralizada de Autoexclusão pelos apostadores e reforçam a relevância da ferramenta como mecanismo de prevenção, proteção e redução dos riscos associados às apostas, especialmente aqueles relacionados à saúde mental e financeira dos consumidores“.
Até agosto de 2026, 827.304 mil pessoas se tornaram impedidas de apostarem em razão da renegociação de dívidas. No mesmo período, o Ministério da Fazenda bloqueou o acesso às plataformas de apostas de 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) — somando ambos números, o contingente de pessoas proibidas de realizarem bets chega a aproximadamente 10% das 40 milhões de pessoas ativas cadastradas no Sistema de Gestão de Apostas (Sigap).
Perda de dinheiro das famílias brasileiras
As famílias brasileiras transferiram uma estimativa de R$ 62,5 bilhões para as casas de apostas esportivas em 2025, primeiro ano do mercado regulamentado no país.
🔍O valor representa cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, indicador calculado pelo Banco Central que reúne toda a renda disponível dos brasileiros para consumo ou poupança após o recebimento de salários, benefícios e outras transferências.🔍
O dado faz parte do Update da 3ª edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiro do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
O estudo do Comsefaz mostra ainda que a regulamentação do setor, que passou a exigir o cadastramento das empresas a partir de janeiro de 2025, coincidiu com uma mudança significativa nas transferências via Pix de pessoas físicas para empresas do segmento de artes, cultura, esporte e recreação, categoria na qual estão enquadradas as casas de apostas.
Os pesquisadores estimam que, entre outubro de 2024 e março de 2026, as bets adicionaram, em média, R$ 24,1 bilhões por mês ao volume de transações via Pix. Considerando apenas 2025, primeiro ano de vigência da regulamentação, o impacto acumulado chegou a R$ 350,97 bilhões.
Os dados mostram que, até meados de 2024, as transferências mensais para esse segmento permaneciam próximas de R$ 5 bilhões. Após a regulamentação, o volume ultrapassou R$ 25 bilhões em poucos meses e atingiu um pico próximo de R$ 42 bilhões ao longo de 2025.
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