Em fala transmitida por engano, Lula reclama de campanha “aquém da minha possibilidade”
“Estou aqui porque acredito na democracia, porque estou assustada”, disse Alice Carneiro, de 25 anos, administradora de navegação que chorava com medo de que uma vitória de Flávio prejudique sua esposa, que é transexual.
Os manifestantes criticaram o governo de Jair Bolsonaro, lembrado por sua gestão da pandemia de covid-19, que minimizou como uma “gripezinha”, na qual morreram mais de 700.000 pessoas no Brasil.
“Eu lembro de minha família correndo risco de vida na pandemia (…) Eu lembro da negação da vacina”, disse Carneiro.
Em meio ao som de tambores e fogos de artifício, manifestantes agitavam bandeiras com o lema “Fora Bolsonaro”, enquanto outros expressavam preocupação com os planos de Flávio de anistiar seu pai, que cumpre pena de 27 anos de prisão domiciliar por tentar um golpe de Estado após perder as eleições para Lula em 2022. “Ditadura nunca mais”, dizia um cartaz.
Cortes
Flávio Bolsonaro prometeu cortes orçamentários drásticos e elogiou as reformas econômicas promovidas pelo presidente argentino, Javier Milei.
O Brasil enfrenta uma dívida pública crescente, agravada por taxas de juros elevadas. O resultado do primeiro turno levou o Ibovespa a máximas históricas na última segunda-feira.
Os manifestantes lembraram os cortes feitos por Jair Bolsonaro nas universidades federais, nas bolsas de pesquisa e no programa Farmácia Popular.
“Eu acho muito, muito triste essa ascensão da extrema direita e a ascensão do bolsonarismo no Brasil”, disse Emmanuel Araujo, estudante de 19 anos, que se prepara para fazer o Enem.
Iara Pinheiro, 16, que votou pela primeira vez, disse que tem medo. “Sou uma mulher negra. Acho que a gente perde nossos direitos se a gente continuar do jeito que está e eleger de novo o Bolsonaro. Acho que a gente vai acabar perdendo a nossa democracia.”
2º turno
Flávio e Lula fazem ajustes em suas campanhas para o segundo turno.
O candidato de direita se concentra em formar coalizões e reforçar sua mensagem de reduzir o Estado e modernizar o sistema tributário. Também prometeu aproveitar a predominância da direita no Congresso para realizar reformas constitucionais.
Já Lula, que busca o quarto mandato, optou por focar nas redes sociais, onde a direita leva vantagem. Aos 80 anos, ele gravou o primeiro vídeo em formato selfie de sua campanha.
Publicado no Instagram e no TikTok, o vídeo faz um apelo à militância: “Bora, gente, pra rua. Vamos conversar com as pessoas. Você, que gosta do Brasil, que gosta da educação, da democracia, que quer ter emprego de qualidade, continuar estudando e ver o Brasil crescer, que precisa melhorar de vida, bora pra rua!”
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