A Polícia Federal (PF) indiciou 15 pessoas por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes financeiras nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Entre os investigados estão Daniel Vorcaro, ex-dono do Master; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro. Os três estão presos.
O relatório parcial, com 703 páginas, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (28). A PF também solicitou mais 60 dias para concluir diligências, perícias e análises financeiras. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso.
Segundo os investigadores, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o Banco Master cedeu aproximadamente R$ 17,5 bilhões em ativos de crédito ao BRB. Desse total, ao menos R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos cuja existência não foi adequadamente comprovada.
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Quem são os indiciados?
Além de Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, foram indiciados:
- Angelo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor do Master;
- Luiz Antonio Bull, ex-diretor do Master;
- Alberto Félix de Oliveira Neto, ex-diretor do Master;
- Allan da Silva Machado, ex-procurador do Master;
- Henrique Souza e Silva Peretto, sócio da consultoria Tirreno;
- Daniel Lopes Monteiro, ex-advogado do Master;
- Dario Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB;
- Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora executiva de Controle e Riscos do BRB;
- Cristiane Maria Lima Bukowitz, ex-diretora executiva de Gestão de Pessoas do BRB;
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira, ex-diretor executivo de Atacado e Governo do BRB;
- José Maria Correa Dias Junior, ex-diretor executivo de Tecnologia do BRB;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno.
A PF atribui aos investigados, conforme a participação individual apontada no relatório, crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, fraude à fiscalização e participação em organização criminosa. Também são apontadas suspeitas de indução ou manutenção de investidores ou órgãos públicos em erro.
De acordo com a investigação, Vorcaro exercia a liderança estratégica do esquema, enquanto Paulo Henrique Costa teria atuado na articulação das operações dentro do BRB. Essas conclusões correspondem à avaliação da Polícia Federal.
“Na condição de líder da organização, Daniel Bueno Vorcaro centralizava as decisões relacionadas à produção, aquisição, cessão das carteiras de crédito utilizadas para captação de recursos, além de dirigir a atuação dos demais integrantes vinculados ao Banco Master e às estruturas empresariais associadas ao esquema”, diz o relatório.
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Prejuízo bilionário e alertas internos
O relatório aponta cerca de R$ 2,7 bilhões em perdas já reconhecidas no BRB relacionadas às operações investigadas. A PF ressalta, porém, que esse valor representa apenas uma parcela dos danos identificados e que a dimensão total do prejuízo ainda está em apuração.
Os investigadores também apontam que operações de compra de carteiras de crédito continuaram mesmo diante de alertas internos sobre inconsistências nos ativos, atrasos de repasses e problemas de liquidez. Segundo o documento, aproximadamente R$ 7,6 bilhões foram desembolsados em operações cujos pareceres técnicos só foram concluídos depois da liquidação financeira.
O BRB, controlado majoritariamente pelo governo do Distrito Federal, tentou comprar o Banco Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Posteriormente, foram identificadas irregularidades em parte das carteiras adquiridas.
O caso é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero. Como o relatório é parcial, a PF ainda pretende aprofundar análises bancárias, fiscais e patrimoniais, além de examinar materiais apreendidos e avaliar possíveis responsabilidades adicionais.
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O que dizem as defesas?
O Portal Tela entrou em contato com as defesas de Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, Augusto Ferreira Lima, Allan da Silva Machado, Daniel Lopes Monteiro e Dario Oswaldo Garcia Junior para solicitar um posicionamento sobre os indiciamentos e aguarda retorno. As defesas dos demais citados ainda não foram localizadas. O espaço segue aberto.
Em nota, a defesa de Luiz Antonio Bull disse que respeita, mas discorda das conclusões apresentadas pela Policia Federal em seu relatório. “A investigação não levou em conta o papel absolutamente secundário de Bull na estrutura do Banco Master. Ele não participou de reuniões, não tomou decisões ou teve qualquer atuação em nenhum ato que a investigação entenda como irregular. A defesa espera agora um análise serena e principalmente individualizada por parte do Ministério Publico Federal”, disse o advogado Augusto de Arruda Botelho.
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