Atualizada às 17h20
O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para explicar a participação do governo argentino na ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. A informação foi confirmada à Reuters por duas fontes do governo brasileiro.
Cortés foi recebida pelo diretor do Departamento de América do Sul, embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, e a conversa foi rápida, segundo uma das fontes.
A convocação é uma praxe diplomática para o país registrar seu desagrado com as ações de outro governo.
Nesta tarde, o chanceler argentino, Pablo Quirno, negou que o Brasil tenha pedido explicações a Buenos Aires pela viagem do senador para os Estados Unidos, passando por território argentino.
“Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”, escreveu Quirno no X, em resposta a uma publicação do jornal local La Nación sobre a cobrança brasileira.
Relembre o caso
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28) depois de deixar o Brasil e usar como rota o aeroporto da cidade fronteiriça argentina de Puerto Iguazu, utilizando um jato fretado pelo governo norte-americano. Em uma carta divulgada na quinta-feira (29), o senador agradeceu a ajuda do presidente argentino, Javier Milei.
Reportagens da imprensa argentina mostram o envolvimento direto de membros do governo Milei com Flávio Bolsonaro e sua família, inclusive com uma escolta da polícia aeroportuária da Argentina, que o acompanhou até embarcar.
Ao viajar para os EUA, o senador do PL, que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25), descumpriu uma determinação judicial de entregar seus passaportes e de não deixar o Brasil, no âmbito de um inquérito em que é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
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Cortés representa o corpo diplomático argentino no Brasil desde que começou a crise diplomática entre os governos Lula e Javier Milei, no final de julho.
O presidente argentino esteve no Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, e ofendeu Lula, repetindo depois outras ofensas em entrevistas e em rede sociais.
A escalada levou o Brasil a retirar seu embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, rebaixando as relações diplomáticas entre os dois países. Em seguida, Daniel Raimondi, então embaixador argentino em Brasília, também voltou para a Argentina.
Segundo uma das fontes, não há previsão de qualquer mudança nas relações em um futuro próximo, já que Milei tem mantido o tom agressivo em relação ao Brasil, e a ajuda na viagem de Flávio compõe um quadro de intromissão na política interna brasileira.
(Com informações da Reuters e AFP)
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