De Brasília, DF — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – que tinha ordem judicial para não deixar o Brasil e é investigado em dois inquéritos relacionados a crimes financeiros, como lavagem de dinheiro – deixou o Brasil sem passar pelos postos de controle migratórios, informou a Polícia Federal nesta quarta-feira (28).
“Não há registro oficial de saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros”, informou a corporação.
Entre o domingo (25) e a manhã de segunda-feira (26), com autorização judicial, a PF inseriu o nome de Flávio Bolsonaro nos alertas migratórios e cancelou seus passaportes, comum e diplomático, nos sistemas da corporação. A viagem ocorreu entre o final de tarde de segunda-feira e a terça-feira (27).
Flávio foi intimado a devolver, em 24 horas, os passaportes físicos, inclusive de outras nacionalidades, na manhã de segunda-feira, ocasião em que foi informado da proibição de deixar o país. O prazo venceu na terça-feira. Mas a Polícia Federal disse em nota hoje que que não poderia fazer ações de vigilância pelo fato de o senador ter descumprido determinações da Justiça.
“A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”, disse a corporação em nota.
Segundo a PF, o pedido para entregar passaportes e impedi-lo de deixar o Brasil foi feito na noite de domingo (25), após a apuração mostrar que Flávio Bolsonaro havia perdido as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O motivo do pedido foi, segundo a PF, o fato de “identificar risco de saída do Brasil pelo senador Flávio Bolsonaro, investigado no âmbito da PET nº 16877/DF”, o inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro dele e do advogado Willer Thomaz com casas de apostas virtuais, as “bets”. O ministro relator dessa investigação, Alexandre de Moraes, atendeu ao pedido da polícia.
“A Polícia Federal investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais pelo investigado, atuando nos limites da legislação e no cumprimento das determinações judiciais.”
A reportagem do Portal Tela apurou com fontes ligadas ao caso que esses limites permitem fazer ações de acompanhamento para levantamento de informações. Segundo esses investigadores, havia policiais federais brasileiros em Foz do Iguaçu (PR), no Brasil, e no aeroporto de Puerto Iguazu, no lado argentino, buscando informações sobre Flávio. No entanto, não havia ordem judicial para prendê-lo.
Mesmo depois do descumprimento da ordem judicial de entrega de passaportes, a PF não solicitou ao ministro Alexandre de Moraes um mandado de prisão contra o senador.
Segundo o portal UOL, um estrategista do presidente da Argentina Javier Milei, Santiago Caputo, acompanhou Flávio na travessia de Foz do Iguaçu para a Argentina por meio de Misiones.
Como mostram imagens do canal de TV argentino “C5N” batedores das forças de segurança aeroportuárias escoltaram a van utilizada pelo senador até o local da decolagem de um avião. A aeronave seguiu até o Equador. De lá, rumou para a Flórida, nos EUA.
O Portal Tela questionou hoje o governo da Argentina, por meio do porta-voz Adrian Ravier e do secretário de Comunicação da Nação, Fabián Fernandes, sobre a participação do país vizinho na movimentação da família do senador. Os esclarecimentos serão publicados se forem recebidos.
PF investiga
A PF investiga as circunstâncias da saída de Flávio do país, descumprindo ordens judiciais. A corporação pediu autorização para fazer buscas nos endereços do senador. A Procuradoria Geral da República concordou com o pedido. As equipes chegaram a mobilizar agentes para fazer uma operação até a manhã desta quarta-feira (28), mas o ministro Alexandre de Moraes negou autorização à ação.
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