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Tecnologia melhora deslocamentos individuais, mas agrava problemas urbanos, alerta especialista

- A pesquisa Origem Destino 2023 revelou que transportes individuais superaram coletivos em SP. - Zeca Brandão aponta que a pandemia e aplicativos impulsionaram essa mudança. - A falta de planejamento urbano integrado agrava desigualdades sociais e trânsito. - A mobilidade urbana deve priorizar a redução de deslocamentos e subcentros. - A qualidade do transporte coletivo não acompanhou a oferta do privado, piorando a situação.

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A pesquisa Origem Destino 2023, realizada pelo Metrô de São Paulo, revelou que, pela primeira vez, o número de usuários de transportes individuais, como carros e motos, superou o de transporte coletivo na capital paulista. Zeca Brandão, arquiteto e urbanista da Universidade Federal de Pernambuco, atribui essa mudança a décadas de falta de planejamento urbano […]

A pesquisa Origem Destino 2023, realizada pelo Metrô de São Paulo, revelou que, pela primeira vez, o número de usuários de transportes individuais, como carros e motos, superou o de transporte coletivo na capital paulista. Zeca Brandão, arquiteto e urbanista da Universidade Federal de Pernambuco, atribui essa mudança a décadas de falta de planejamento urbano integrado, refletindo uma tendência nacional. Ele destaca que, durante a pandemia, muitos interromperam suas rotinas de deslocamento e, ao retornarem, encontraram opções de viagens por aplicativo mais eficientes em termos de custo e conforto.

Brandão argumenta que a mobilidade no Brasil é frequentemente vista de forma isolada, sem considerar a integração com o planejamento urbano. Ele critica a abordagem monocêntrica das cidades brasileiras, que gera um fluxo intenso de deslocamentos entre áreas residenciais e comerciais. Para ele, a solução passa por estimular subcentros e promover uma distribuição mais equilibrada dos usos urbanos, permitindo que as pessoas realizem suas atividades cotidianas a pé.

A qualidade do transporte coletivo, segundo Brandão, não acompanhou a oferta de transporte privado, especialmente após a pandemia. Ele observa que a taxa de mobilidade urbana caiu de 2,02 viagens por pessoa em 2017 para 1,68 em 2023, refletindo o impacto do trabalho remoto e a diminuição dos deslocamentos. Embora tanto o transporte coletivo quanto o individual tenham diminuído, a queda no uso do coletivo foi mais acentuada.

Brandão também menciona a situação caótica do trânsito em outras capitais, como Recife, onde a falta de transporte público adequado leva as classes média e alta a optarem por veículos particulares. Ele enfatiza a necessidade de uma mobilidade multimodal, com integração entre diferentes modais de transporte, e alerta que a tendência futura dependerá das ações do poder público. Se não houver melhorias, a tecnologia continuará a oferecer opções de deslocamento mais vantajosas, agravando ainda mais o trânsito nas cidades.

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