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Tensões no Oriente Médio elevam preços globais de alimentos pelo segundo mês

Conflito no Oriente Médio eleva custos de energia e fertilizantes, empurrando os preços globais de alimentos pela segunda vez, com impactos em safras futuras

Elizabeth Wangua applies fertilizer to her land in Limuru, Kenya Wednesday, March 25, 2026.
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  • FAO relata segunda alta mensal nos preços globais de alimentos, impulsionada por tensões no Médio Oriente que elevam custos de energia e fertilizantes.
  • O índice de referência da FAO subiu para 1% acima do nível de 12 meses atrás, evidenciando maior gasto de produção e transporte.
  • O diretor da FAO Agrifoods Economics, David Georges Robert Laborde, alerta que o conflito pode afetar a próxima colheita se persistir.
  • Grande parte do combustível e fertilizantes globais passam pelo estreito de Hormuz; um fechamento prolongado pode levar menos plantio e rendimentos mais baixos.
  • Embora hoje haja oferta estável, há incerteza futura, com possíveis impactos de fertilizantes e do fenômeno El Niño que pode provocar seca.

O aumento dos preços globais de alimentos ocorreu pelo segundo mês consecutivo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, que eleva custos com energia e fertilizantes e ameaça safras futuras, apesar de suprimento atual estável.

Segundo dados da FAO, o índice de referência de preços de alimentos subiu 1% em relação ao mesmo mês do ano anterior, refletindo o encarecimento das operações de produção e transporte.

O diretor de Economia Agroalimentar da FAO, David Georges Laborde, afirmou que o impacto reside no custo de produzir a próxima colheita, não apenas o alimento disponível hoje, e que um prolongamento do conflito pode afetar os agricultores.

Ele ressaltou que grande parte do combustível e fertilizantes globais passa pelo Estreito de Hormuz, apontando que um fechamento prolongado forçaria decisões difíceis de plantio, redução de fertilizantes e potencial queda de safra.

Laborde destacou ainda que cerca de um terço dos fertilizantes globais passam pelo estreito e cerca de 20% do gás natural é utilizado para fabricar fertilizantes nos países que importam esse insumo.

Apesar do cenário de volatilidade, a FAO aponta que os preços globais de alimentos não dispararam tanto quanto no início da crise de 2022, em parte pela continuidade de boas safras em regiões produtoras importantes.

Antes da crise, havia expectativa de queda nos preços de commodities devido a boas colheitas nos EUA e na Ásia, aliadas a elevados estoques, o que ameniza a alta atual.

Ainda assim, a instabilidade permanece, com incertezas sobre o futuro, em especial os custos de fertilizantes e o possível impacto do El Niño, que pode trazer secas.

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