- Donald Trump anunciou a implementação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em seis de setembro.
- A medida gera tensão nos mercados e aumenta a aversão ao risco, impactando a economia brasileira a longo prazo.
- Corretoras e bancos, como Itaú BBA e XP Investimentos, revisaram suas estratégias de investimento em resposta ao novo cenário.
- Na renda fixa, títulos prefixados com prazo de três anos são considerados atrativos, enquanto títulos indexados ao IPCA com prazos a partir de cinco anos são vistos como uma alternativa para desinflação.
- No mercado de ações, investidores adotam postura cautelosa, mantendo ações de empresas como Itaú, Petrobras e Vale em suas carteiras.
O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, anunciado por Donald Trump, entra em vigor nesta quarta-feira, 6 de setembro, e gera tensão nos mercados. A medida, que eleva a aversão ao risco, pode impactar a economia brasileira a longo prazo, alterando a dinâmica da inflação e as expectativas de juros. Corretoras e bancos já revisaram suas estratégias de investimento, considerando esse novo cenário.
A equipe de research em renda fixa do Itaú BBA destacou que a saída de recursos e o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores são consequências diretas da tarifa. A XP Investimentos também observou que a curva de juros reflete uma maior aversão ao risco, especialmente em meio à incerteza política em relação às eleições de 2026.
Impactos na Renda Fixa
Na renda fixa, o Itaú BBA afirma que, apesar da volatilidade em julho, os fundamentos que sustentam a alocação em renda fixa permanecem intactos. Os títulos prefixados com prazo de cerca de três anos continuam sendo considerados atrativos, enquanto os títulos indexados ao IPCA com prazos a partir de cinco anos são vistos como uma alternativa para capturar o processo de desinflação. A taxa real de cinco anos está em torno de 7,5% ao ano, um nível historicamente elevado.
A XP, por sua vez, montou uma carteira de renda fixa que combina títulos públicos e crédito privado, incluindo Letra Financeira do Tesouro atrelada à Selic e debêntures de empresas como Petrobras. A recomendação é que os investidores considerem seu perfil e o prazo dos títulos, limitando a exposição a 5% em um único emissor.
Cenário das Ações
O cenário de incerteza política e as altas taxas de juros têm levado os investidores a adotar uma postura cautelosa em relação ao mercado de ações. O BTG Pactual, por exemplo, manteve em sua carteira de agosto ações como Itaú (ITUB4), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), que demonstram resiliência. A Petrobras, com um dividend yield médio projetado de 8,5% para 2025 e 2026, e a Vale, classificada como resiliente, são exemplos de ativos que ainda atraem interesse.
No exterior, as ações das big techs, apesar de um desempenho decepcionante no primeiro semestre, mostraram resultados positivos no segundo trimestre. A Microsoft, por exemplo, ultrapassou US$ 4 trilhões em valor de mercado, enquanto a Meta registrou receita de US$ 47,5 bilhões, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. As corretoras locais estão recomendando ações dessas gigantes, com destaque para Microsoft e Amazon, que continuam a ser vistas como boas oportunidades de investimento.
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