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“Efeito Mounjaro” já muda o comportamento à mesa e impacta 6 em cada 10 restaurantes brasileiros

Pesquisa com 1.417 estabelecimentos mostra redução no consumo, avanço de porções menores e mudança nos hábitos de bebida, sem queda na frequência dos clientes

Uso de canetas emagrecedoras já imacta economia brasileira. Imagem: Folha Vitória.

O impacto das chamadas “canetas emagrecedoras” já deixou de ser tendência para se tornar realidade no setor de alimentação fora do lar. Um levantamento da Abrasel indica que 61% dos bares e restaurantes brasileiros já identificam mudanças no consumo dos clientes, em um movimento marcado por moderação nos pedidos, adaptação dos cardápios e novas estratégias […]

O impacto das chamadas “canetas emagrecedoras” já deixou de ser tendência para se tornar realidade no setor de alimentação fora do lar. Um levantamento da Abrasel indica que 61% dos bares e restaurantes brasileiros já identificam mudanças no consumo dos clientes, em um movimento marcado por moderação nos pedidos, adaptação dos cardápios e novas estratégias comerciais.

Na prática, o que se vê é uma reconfiguração da experiência à mesa. Há menos pedidos de pratos principais e sobremesas, maior procura por porções reduzidas e uma mudança consistente no consumo de bebidas. Entre os entrevistados, 56% notaram alterações no volume de pedidos principais, enquanto 64% registraram aumento na demanda por miniporções, movimento que deu origem ao chamado “Menu Mounjaro”.

A mudança, segundo o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, ainda ocorre de forma gradual, mas tende a se intensificar. O consumidor segue frequentando bares e restaurantes, porém com escolhas mais contidas, dinâmica que deve ganhar força com a popularização de versões mais acessíveis desses medicamentos.

Alguns estabelecimentos já transformaram a adaptação em estratégia central. No restaurante Nou, um dos pioneiros na reformulação do cardápio, as versões reduzidas já respondem por cerca de um quarto dos pedidos.

Outro efeito que se consolida é o compartilhamento de pratos principais, citado por 64% dos entrevistados. A lógica muda: em vez de refeições individuais completas, cresce o consumo dividido — mais leve, mais econômico e alinhado ao novo perfil de cliente.

No balcão, a transformação também é visível. Mais da metade dos estabelecimentos (53%) percebeu aumento na procura por bebidas não alcoólicas e drinques sem álcool, em linha com a alta superior a 25% no consumo de cerveja sem álcool no Brasil.

Chefs e empresários relatam mudanças concretas no dia a dia. No Bistrô Ruella, a chef Danielle Dahoui afirma que, desde setembro de 2025, o restaurante passou a oferecer porções menores e ampliar a carta de bebidas sem álcool — uma adaptação que, segundo ela, “veio para ficar”.

Em outros casos, o impacto aparece na redução direta do consumo. Em Trancoso, na Bahia, a responsável pelo Manjar Ancestral relata ter atendido um grupo que elogiava os pratos, mas praticamente não comia. Ao final, percebeu que todos utilizavam as canetas — mesmo já sendo magros.

Especialistas apontam que o fenômeno pode ir além da alimentação. A psicanalista Luciana Saddi alerta para possíveis efeitos como o isolamento social, associado a um eventual “medo da comida”, especialmente quando o uso dos medicamentos ocorre sem acompanhamento médico.

Apesar das mudanças, a pesquisa não identificou queda na frequência aos restaurantes. O que está em curso é uma transformação mais silenciosa — e possivelmente mais profunda — na forma como se consome.

Entre clientes, a percepção é ambígua. Há apoio à oferta de porções menores, especialmente por quem já consome pouco, mas também preocupação com preços. O desafio do setor passa a ser encontrar o equilíbrio entre atender a esse novo perfil e manter a rentabilidade.

Curiosamente, nem todos os segmentos perdem espaço. A confeitaria e os chocolates premium têm registrado aumento de consumo entre usuários dessas medicações, indicando que, mesmo em um cenário de restrição, ainda há espaço para indulgência — desde que em novas proporções. 

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