Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação também levou à prisão dos cantores MC Ryan SP, detido no litoral de São Paulo, e MC Poze do Rodo, preso no Rio de Janeiro. Os três estão entre os alvos suspeitos de integrar — ou se beneficiar — de uma estrutura financeira complexa voltada à ocultação de […]
Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação também levou à prisão dos cantores MC Ryan SP, detido no litoral de São Paulo, e MC Poze do Rodo, preso no Rio de Janeiro. Os três estão entre os alvos suspeitos de integrar — ou se beneficiar — de uma estrutura financeira complexa voltada à ocultação de recursos ilícitos.
Até o momento, o papel exato do criador da Choquei no esquema não foi detalhado oficialmente.
Um sistema sofisticado de lavagem
Segundo a PF, o grupo operava um modelo estruturado e altamente sofisticado para ocultar a origem de dinheiro ilegal em larga escala. As investigações indicam que o esquema combinava diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento financeiro, incluindo:
- Uso de plataformas de apostas online (“bets”);
- Transações com criptomoedas, especialmente USDT (Tether);
- Transferências bancárias fracionadas;
- Transporte de dinheiro em espécie.
De acordo com os investigadores, profissionais do meio musical com grande alcance nas redes sociais teriam papel relevante na engrenagem, mesclando atividades artísticas com movimentações financeiras suspeitas.
A suspeita é de que parte dos valores tenha origem no tráfico internacional de drogas, com ramificações dentro e fora do Brasil.
Entenda a operação
A Operação Narco Fluxo é um desdobramento da Operação Narco Bet e foi autorizada pela 5ª Vara Federal em Santos. Ao todo, foram expedidos 39 mandados de prisão temporária e 45 mandados de busca e apreensão.
Cerca de 200 agentes atuam no cumprimento das ordens judiciais em diversos estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Durante as diligências, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Após passar por perícia, o material deverá ajudar a aprofundar as investigações e identificar novos envolvidos.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e restrições financeiras dos investigados.
Influência digital sob investigação
Com mais de 27 milhões de seguidores, a página “Choquei” se consolidou como uma das maiores plataformas de conteúdo viral do país. A inclusão de seu criador entre os alvos levanta suspeitas sobre o possível uso de redes sociais e influência digital dentro da dinâmica do esquema, embora ainda não haja acusação formal detalhada contra ele.
A defesa de Raphael informou que ele está prestando depoimento e deve se manifestar após acesso completo aos autos.
Funkeiros no centro do caso
A presença de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo entre os presos amplia o alcance da investigação para o universo do funk, que já vinha sendo monitorado em outras apurações.
A defesa de Ryan afirmou que “a verdade será devidamente demonstrada”. Até a última atualização, a equipe de Poze não havia se pronunciado.
Crimes e próximos passos
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A operação ainda está em andamento e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, com base na análise de provas, quebras de sigilo e depoimentos.
Um caso que vai além do entretenimento
A investigação expõe a conexão entre crime organizado, economia digital e indústria do entretenimento. Ao atingir influenciadores e artistas com milhões de seguidores, o caso levanta questionamentos sobre o uso de visibilidade pública em esquemas financeiros complexos.
Nos próximos dias, o avanço das investigações deve esclarecer o nível de envolvimento de cada um dos citados e o real alcance da organização criminosa.
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