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Saúde mental já custa quase 26 trilhões de reais por ano à economia global e conta pode triplicar até 2030

Problemas de saúde mental já impactam milhões em todo o mundo e chegam a causar prejuízo de trilhões de reais a empresas de vários nichos.

Transtornos como depressão, ansiedade e síndrome de burnout afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Além de comprometerem o bem-estar, os relacionamentos e a qualidade de vida, essas condições passaram a ser vistas também como um desafio econômico de grandes proporções. Nos últimos anos, pesquisadores têm ampliado os estudos sobre os impactos da saúde […]

Transtornos como depressão, ansiedade e síndrome de burnout afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Além de comprometerem o bem-estar, os relacionamentos e a qualidade de vida, essas condições passaram a ser vistas também como um desafio econômico de grandes proporções.

Nos últimos anos, pesquisadores têm ampliado os estudos sobre os impactos da saúde mental no ambiente de trabalho. O resultado é uma mudança de perspectiva: o tema deixou de ser tratado apenas como uma questão de saúde pública e passou a ocupar espaço nas discussões sobre produtividade, competitividade e crescimento econômico.

Segundo um estudo internacional divulgado pela Sodexo em parceria com a Social Impact Partners e a Global Brain Health Initiative, problemas relacionados à saúde mental e à saúde cerebral já custam cerca de 26 trilhões  de reais por ano à economia mundial. Sem ações efetivas de prevenção e tratamento, esse valor poderá ultrapassar 83 trilhões de reais até 2030.

Depressão, ansiedade fazer trabalhadores deixarem de comparecer ao trabalho cerca de 12 dias por ano

O levantamento mostra que apenas os casos de depressão e ansiedade são responsáveis por perdas anuais estimadas em 5 trillões em produtividade. Além disso, essas condições levam à perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano em todo o mundo.

O estudo também chama atenção para outro problema silencioso: o desengajamento dos trabalhadores. Segundo os pesquisadores, funcionários desmotivados geram prejuízos globais de cerca de 40 trilhões por ano, valor equivalente a aproximadamente 9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Diante desse cenário, especialistas defendem que o ambiente de trabalho passe a desempenhar um papel mais ativo na promoção da saúde mental. A justificativa é simples: uma pessoa passa, em média, cerca de 90 mil horas da vida trabalhando.

“A forma como o trabalho é organizado, como as lideranças se relacionam e como as pessoas descansam e convivem influencia diretamente a saúde mental. O cuidado precisa estar incorporado ao dia a dia”, afirma Ana Menegotto, vice-presidente de Pessoas, Comunicação e ESG da Sodexo Brasil.

O que mudou para as empresas

O debate ganhou força no Brasil após a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em maio deste ano. A nova regra ampliou a responsabilidade das empresas na identificação e prevenção de riscos psicossociais, incluindo fatores que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores, como assédio, sobrecarga e ambientes organizacionais tóxicos.

Na prática, a mudança reforça a necessidade de que o bem-estar psicológico seja incorporado à gestão de riscos ocupacionais, deixando de ser tratado apenas como uma iniciativa isolada de recursos humanos.

Ambientes saudáveis geram mais produtividade

O relatório reúne estudos que apontam uma relação direta entre saúde mental e desempenho profissional. Entre os fatores considerados fundamentais para a saúde cerebral estão hábitos como uma alimentação equilibrada, sono de qualidade, prática regular de exercícios físicos, gestão do estresse, manutenção de vínculos sociais e a presença de ambientes de trabalho mais adequados.

Segundo os pesquisadores, aspectos muitas vezes negligenciados pelas empresas, como iluminação natural, ventilação adequada, controle de ruídos e espaços voltados ao descanso e à convivência, podem influenciar significativamente a capacidade cognitiva dos profissionais.

Uma das pesquisas citadas no relatório mostrou que trabalhadores que atuavam em edifícios com melhor circulação de ar e menor concentração de poluentes registraram resultados até 61% superiores em avaliações cognitivas quando comparados a profissionais expostos a condições menos favoráveis.

O peso da solidão

As conexões humanas também aparecem como um componente importante para a saúde mental. De acordo com os dados reunidos pelos pesquisadores, a solidão está associada a um aumento de 31% no risco de demência, além de estar relacionada a maiores índices de ansiedade, depressão e esgotamento emocional.

Por isso, os autores defendem que estimular relações saudáveis dentro das organizações pode ter um impacto tão relevante quanto programas tradicionais de promoção da saúde corporativa.

Investimento que gera retorno

Além dos benefícios individuais, o estudo destaca que investir em saúde mental pode produzir efeitos positivos para a economia. A estimativa é que iniciativas voltadas à saúde cerebral tenham potencial para adicionar até 30 trilhões de reais ao PIB global até 2050, resultado atribuído à redução de afastamentos, ao aumento do engajamento e ao ganho de produtividade.

Os pesquisadores avaliam que o crescimento dos transtornos mentais exige uma mudança de postura por parte das organizações. Em vez de tratar o tema apenas como um benefício complementar oferecido aos funcionários, as empresas tendem a incorporá-lo cada vez mais às estratégias de gestão e desenvolvimento.

Nesse cenário, o ambiente de trabalho passa a ser visto não apenas como um local onde os problemas podem surgir, mas também como um espaço capaz de promover proteção, prevenção e bem-estar. Para os autores do relatório, cuidar da saúde mental dos trabalhadores deixou de ser apenas uma questão de responsabilidade social e se tornou um fator relevante para a sustentabilidade e a competitividade dos negócios. 

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