- O Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, em Pauillac, tem 102 hectares e fica próximo de Château Latour; a vinha está em transição para chegar a cerca de 75% de cabernet sauvignon, com merlot e cabernet franc complementares.
- A propriedade é dos Rouzaud desde 2007, e Nicolas Glumineau está à frente desde 2012.
- A visão dele enfatiza o terroir como base do vinho, com o homem interpretando a natureza para chegar ao conjunto final.
- O ano de 2022 é destacado como millésime extraordinário, mas ele alerta que ainda há muitos vinhos a fazer e que é preciso experimentar e adaptar.
- O vinho é comparado a Kate Bush pela elegância, potência e singularidade; o cabernet sauvignon é apontado como a melhor expressão de seu território.
Nicolas Glumineau, diretor-geral de Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande, ocupa a 21ª posição entre os melhores vignerons da França. Em Pauillac, ele conduz vinhos com um toque de alma, segundo a percepção da equipe.
A propriedade tem 102 hectares no eixo Pauillac, ao lado de Château Latour. A idade média das vinhas é de 35 anos, com solo de gravas garonenses sobre argila. A vinicultura está em etapa de transição para 75% de cabernet sauvignon.
A Rouzaud Family, proprietária desde 2007, mantém a visão de continuidade histórica. Glumineau está na direção desde 2012, consolidando a identidade do segundo cru classé. O objetivo é equilibrar tradição e inovação.
Foco no método e na experiência
Glumineau afirma não se ver como campeão, mas como um challenger. Ele aposta em melhoria contínua para Pichon Comtesse e para o vinho de Bordeaux em nível global, destacando a importância de cada safra.
A formação dele inclui estudo de genética e bioquímica, com passagem pelo laboratório de Denis Dubourdieu. A trajetória começou no Château d’Escurac, no Médoc, após trabalhos anteriores na área científica.
Perspectivas, equipes e influências
O técnico cita vários coaches: equipes internas, Éric Boissenot e Jean-Baptiste Lécaillon, além de Frédéric Rouzaud. Esses nomes ajudam a moldar o conceito de vinho com liberdade criativa, mas com rigor técnico.
Glumineau ressalta que o terroir envolve solo, subsolo, clima, cepa, porta-greffe e manejo humano. Para ele, a natureza oferece a partitura; o enólogo interpreta com precisão.
Enfoque no terroir e no conhecimento
Entre prioridades do cultivo, o cabernet sauvignon ganha destaque, migrando de 60% para 75% de participação no blends. O merlot e o cabernet franc são mantidos em proporções menores.
A evolução do vinhedo busca maior expressão do terroir, mantendo equilíbrio entre elegância, potência, complexidade e expressão de sabor. Atingir esse equilíbrio é o objetivo atual.
Visões pessoais e inspirações
Glumineau atribui parte do sucesso à parceria com a esposa, além de inspirações de vinhos e profissionais do setor. O patrocínio estratégico de Frédéric Rouzaud é visto como fator-chave para planejamento de longo prazo.
Ele destaca o cabernet sauvignon como a variedade-foco, pela amplitude de nuances que oferece. A mudança de averse com terroir é apresentada como linha mestra da produção.
Desafios e avaliações de safras
O enólogo avalia 2022 como safra extraordinária, porém ressalta que exigir mudanças diárias pode ter sido necessário. O saldo aponta uma safra que refletiu o estilo desejado pela equipe.
Glumineau cita a competição como estímulo, especialmente a biodiversidade de práticas entre vinhedos de Pauillac. O desafio do clima é apresentado como a principal preocupação futura.
Pelos olhos dos próximos passos
Sobre o legado, o enólogo aponta dois possíveis substitutos de alto nível: Jean-Baptiste Lécaillon e Jean-Philippe Masclef, ambos ligados a produtores de referência. O objetivo é manter a qualidade e a inovação da propriedade.
Entre na conversa da comunidade