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Inteligência artificial recria odores que marcaram a história da Europa

William Tullett apresenta o cheiro do inferno na Exposição Universal de 2025, destacando a importância cultural dos odores históricos.

Erupções do vulcão Fagradalsfjall na Islândia, em 19 de março de 2021. (Foto: HRAUN/Getty Images)
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  • William Tullett, pesquisador britânico, recriou o cheiro do inferno utilizando a base de dados ODEUROPA.
  • A apresentação ocorreu na Exposição Universal de 2025, em Osaka, Japão, onde foram explorados outros odores históricos.
  • Para a reconstrução, Tullett analisou sermões dos séculos XVI e XVII, que mencionavam odores como enxofre e descrições vívidas.
  • A professora Inger Leemans, coordenadora do projeto, destacou a subjetividade dos odores em diferentes culturas.
  • O projeto ODEUROPA também usou inteligência artificial para analisar imagens e textos históricos, visando preservar o patrimônio olfativo.

William Tullett, pesquisador britânico, recriou o cheiro do inferno, utilizando a base de dados ODEUROPA, e apresentou sua obra na Exposição Universal de 2025, em Osaka, Japão. O projeto, financiado pela União Europeia, buscou explorar a história olfativa e a importância cultural dos odores.

Para reconstruir o odor infernal, Tullett analisou sermões dos séculos XVI e XVII, que mencionavam desde o cheiro de enxofre até descrições mais vívidas, como “um milhão de cães mortos”. Este aroma foi apenas um dos doze odores históricos apresentados na exposição, que também incluiu o cheiro de incenso, mirra e os canais de Amsterdã.

A professora Inger Leemans, coordenadora do projeto e historiadora cultural na Universidade Livre de Amsterdã, destacou a subjetividade dos odores em contextos históricos. Enquanto alguns europeus viam o cheiro do inferno como atraente, visitantes japoneses o consideraram repugnante. O patrimônio olfativo, ainda pouco explorado, pode ser uma ferramenta poderosa para conectar pessoas à história.

O projeto ODEUROPA desenvolveu ferramentas para preservar e reconhecer odores significativos, ajudando pesquisadores e responsáveis políticos. Tullett acredita que o olfato pode tornar exposições mais imersivas, permitindo uma conexão mais autêntica com o passado. Museus já estão adotando essa abordagem, como o Museu de Ulm, que criou um percurso olfativo.

Além disso, a equipe de ODEUROPA utilizou inteligência artificial para analisar 43 mil imagens e 167 mil textos históricos, buscando referências a odores. Essa tecnologia visa tornar o patrimônio cultural mais acessível e relevante. O diálogo sobre a preservação de odores também foi enriquecido pela experiência do Japão, que possui uma lista de paisagens olfativas notáveis.

A artista olfativa japonesa Maki Ueda ressaltou a importância do olfato na cultura japonesa, que, segundo ela, perdeu sensibilidade ao longo dos anos. Leemans concorda que o olfato é um sentido negligenciado, mas que pode ser revitalizado. Durante a Exposição Universal, um avatar de IA de Leemans continuará a apresentar a pesquisa do ODEUROPA e interagir com os visitantes.

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