- Mulheres com 60, 70, 80 e 90 anos contam como é tentar encontrar um parceiro na vida adulta, destacando desafios em sites de namoro, preferências de idade e a busca por romance.
- Stella Ralfini, 78, em Londres, relata dificuldade de encontrar parceiros parecidos em idade e admite que busca alguém na casa dos 60 ou 70 para viver os últimos anos com paixão.
- Pauline Tomlin, 61, de Leeds, diz que muitos homens de sua idade usam fotos antigas e que o online pode parecer “pesca” por sexo; também destaca a amalgama de mulheres negras em sites de namoro.
- Bonnie March, 84, de Palm Springs, e Cheryl Ford, 71, também de Palm Springs, contam como se conheceram em meio à pandemia, seguiram juntas e fizeram um casamento celebrado com apoio de amigos e familiares.
- D’yan Forest, 91, de Nova York, afirma já ter conhecido muitos pretendentes, prefere homens mais jovens por conversas mais equilibradas e relata que muitos contatos online não se convertem em relacionamentos.
O jornalismo dialoga com pessoas que buscam companhia na vida adulta tardia. Cinco mulheres, com idades entre 61 e 91, falam sobre as dificuldades de encontrar um parceiro após os 60, em Londres, Leeds, Palm Springs e Nova York, explorando razões emocionais, sociais e práticas. As relatos mostram buscas por romance, convivência e cumplicão em meio a mudanças no comportamento de dating online.
O grupo revela que a procura não é apenas por sexo ou amizade, mas pela possibilidade de viver a última fase com alguém que compartilhe interesses, viagens e projetos. Entre traços comuns, está a decepção com perfis desatualizados, com falas rasas e com a dificuldade de encontrar pessoas de qualidade que estejam na mesma fase de vida. O assunto ganha contorno ao combinar vida pessoal com identidade e dignidade.
Ainda que a motivação varie, a maioria aponta a solidão como impulso para tentar novas formas de relacionamento. A experiência de quem busca amor na terceira idade inclui lidar com julgamentos, obstáculos de saúde, limitações de tempo e a necessidade de reformular expectativas sobre romance e convivência. Em comum, há a vontade de manter a autonomia e construir uma vida afetiva estável.
Stella Ralfini: da solidão ao desejo de romance duradouro
Stella Ralfini, 78 anos, escritora de estilo de vida em Londres, relata ter ficado solteira após a morte do parceiro. Ela iniciou atividades de namoro na casa dos 70 e já fez dezenas de encontros recentemente. Para ela, a motivação é compartilhar momentos românticos e preservar a vitalidade de viver bem e apaixonadamente.
Ralfini diz que atrair homens na faixa dos 70s ou 60s é mais factível quando se busca afinidade semelhante, porém muitos perfis não correspondem à realidade. Tentativas em sites de relacionamento foram abandonadas após acusações de uso de imagem falsa ou de inteligência artificial. Ela migrou para eventos presenciais e encontros sociais.
Entre as dificuldades, a flutuação de interesse com quem não compartilha o mesmo estágio de vida ou que não valoriza o glamour que ela gosta. A conversa revela a importância de autenticidade para lidar com a própria história, estilo e expectativas de relacionamentos que possam durar até o fim da vida.
Bonnie March e Cheryl Ford: romance entre gerações diferentes
Bonnie March, 84, e Cheryl Ford, 71, moram em Palm Springs e contam como o encontro evoluiu para um relacionamento estável. Bonnie, que já havia se assumido como lésbica, relata que o caminho incluiu participação em uma academia de coaching de relacionamentos e a decisão de buscar parceira compatível com seus objetivos de vida e viagens.
Cheryl confirma que, meses após se conhecerem, decidiram se casar em Paris, em uma cerimônia simples, com apoio de amigos. O casal destaca a possibilidade de viajar com frequência após a aposentadoria, o que facilita a construção de uma vida compartilhada e o planejamento de experiências futuras. O casamento foi celebrado sob reconhecimento público, marcando uma etapa significativa para o casal.
Apesar das diferenças de idade, as falas indicam que a conexão ocorreu via interesses comuns, como circulação, turismo e projetos de vida, além de uma compatibilidade sexual que acompanhou o vínculo afetivo. A história de Bonnie e Cheryl ilustra como o relacionamento entre mulheres pode nascer após fases marcantes de vida.
D’yan Forest: preferência por parceiros mais jovens e convivência sem pressa
D’yan Forest, 91, humorista de Nova York, descreve uma trajetória longa de namoro, incluindo relacionamentos com homens de várias idades e experiências. Ela utiliza plataformas online para encontrar companhia, priorizando alguém com senso de humor, curiosidade e disposição para viajar.
A entrevistada observa que a idade pode dificultar a continuidade de relacionamentos, com muitos encontros não resultando em continuidade. Ela descreve que homens mais velhos costumam monopolizar a conversa, enquanto mulheres tendem a oferecer melhor reciprocidade no diálogo. A convivência com parceiros mais jovens é vista como opção viável, desde que haja sintonia e desejo mútuo de relacionamento estável.
Forest também relata episódios de encontros que não se consolidaram, inclusive situações em que perfis exagerados ou promessas vazias afastaram os pretendentes. Em seu relato, a busca por intimidade não se restringe a sexo, mas a construção de uma relação que complemente a vida cotidiana.
Panorama comum e impacto social
Conforme as entrevistas, a busca por amor na faixa de 60 a 90 anos envolve mudanças de hábitos, uso de plataformas digitais e a importância de encontrar parceiros com interesses alinhados. As participantes destacam o papel da identidade, autonomia pessoal e a necessidade de aceitação social ao longo do processo de encontrar alguém com quem partilhar a vida.
As experiências destacam ainda a diversidade de trajetórias nos últimos anos, com relatos de relacionamentos que evoluíram para casamento, cooperação em atividades diárias e planos de viagem. Em todos os casos, a prioridade continua sendo manter a dignidade, a autoestima e o desejo de viver plenamente na idade adulta tardia.
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